Saia uma Rapidinha… Resistência

//Saia uma Rapidinha… Resistência

“Os raios caem sobre os montes mais elevados, e onde encontram mais resistência é onde provocam o maior dano.” -Miguel de Cervantes

Remeto para um artigo anterior, intitulado COMPROMISSO. Falava de posturas que podem valorizar mais o “eu interno” ou “eu externo”, mais virado para dentro ou para fora, na sua conduta ao longo da vida.

O ideal, por coerência, equilíbrio e tranquilidade, será a valorização do auto conhecimento. Investimento seguro no progresso do Ser e não do Ter.

Hoje, foquemos uma atitude que se virada para fora, aumenta a dor. As dificuldades. O sofrimento.

O ego controlador. Fanfarrão. Resistente que tudo pode e sabe. Pelo menos, pensa saber. Poder resolver tudo.

Será que é sempre assim? Neste plano? Nesta nossa passagem pela densidade? Será que o ego tem poder para controlar todos os acontecimentos? Perdas? Encrencas?

Duvida-se… Senão vejamos:

O soldado que na guerra se revolta. Se inventa. Vê impotente, a morte ao seu lado, (quando não é a sua própria…) explode de emoção. De medo. De ansiedade.

Numa trincheira ensanguentada, está a gerir a sua história energética, a que não pode eximir-se.

Ele que em criança pedira a paz, está no meio da guerra!

Não percebe a razão. Desespera. Revolta-se.

Disseram – lhe que o Universo era perfeito e agora?

A certa altura descobre…

O HOMEM VEM A TERRA para fazer vibrar a sua luz, nas trevas. Na densidade.

E busca. Busca. Pensa e repensa. A certa altura percebe. Aceita que o homem, para fazer brilhar a sua luz, tem que perder a resistência!

Mas como é isso? A vida envia nos toda a espécie de perdas. De doença. Morte. Desemprego. Cortes de toda a espécie.

O indivíduo tenta resistir. Cada vez endurece mais. Mostra que tem fibra. Luta. É admirado por isso, sobretudo por aqueles que ainda não descobriram que esse não é o comportamento que devolve a paz. O crescimento interior. A solução mais perfeita.

Isso atrai, numa escala crescente, cada vez mais desgraças, mas continua a resistir!

Percebe finalmente que as coisas pioram quanto mais resiste, mas não muda.

Não altera nada, porque ainda não percebeu que é ele próprio que atrai essas provas, para aprender a ceder. Ser flexível. Saber que não é o centro do mundo.

A voz fatídica. Emproada. Incansável, o EGO, quer ser o senhor do Universo, mas é apenas uma gota, no imenso oceano da vida que o transcende.

Será que a existência é mais forte que essa nossa vaidade e arrogância?

Quem tem a solução para tudo. Sabe tudo. Vence tudo (?!), vive do orgulho? Então por que razão as provas se adensam? Cada vez mais o afundam?!

Fica no ar a questão, para quem se preocupa com aquilo que é essencial, na vida…

A sugestão, que é para si e para mim própria, partilhando aquilo que tento trabalhar em mim, é confiar mais na vida. Em Deus. No que for muito importante para si espiritualmente. Relaxar. Confiar. Parar. Ser mais flexível. Perceber o que tem que se aprender com cada desafio que chega até nós. Abrandar. Dar ouvidos à intuição. À inteligência do Coração que sabe muito mais do que a razão!

É bem verdade que o “Coração tem razões que a razão desconhece?”, como disse há muito, Blaise Pascal.

E a intuição, um saber global. Apriorístico. Total é para se escutar no silêncio.

Para quê resistir, em vez de confiar? Abrandar. Acalmar.

Quem sabe de repente, o tal “despertar” bate a sua porta.

Muita gente já descobriu esta experiência pacificadora da entrega, e é bem mais feliz.

Estar atento aos sinais. Às chamadas subtis da vida, para o fazer vencedor.

Para quê continuar a resistir? Vamos a isto, todos nós?

A educação do dever e outras formas rígidas que nos inculcaram diziam o contrário.

Hoje, sabemos que o EGO, com os seus excessos, atrapalha mais do que ajuda. Nem oito nem oitenta.

Lembre-se sempre… O destino conduz o que consente e arrasta o que resiste. Sêneca.

Lucinda Ferreira