Cem anos de “O Despertar”

//Cem anos de “O Despertar”

Foi em 2 de março de 1917 que “O Despertar” iniciou esta já longa vida de cem anos que agora se completam. Se ser centenário, graças à evolução da medicina, se tornou para o ser humano um facto frequente para um jornal atingir estes anos de existência é consolador. E é sobremaneira honroso verificar que nesta longa caminhada permaneceu fiel aos princípios da liberdade de pensamento, da independência republicana e sobretudo da VERDADE que estiveram na origem do seu nascimento.

Já o escrevi anteriormente, mas penso que não será demais repeti-lo, que a minha ligação com o nosso jornal tem mais de setenta anos e que ela assentou, muito especialmente, pela proximidade que sempre tive com a família Sousa.

Por isso eu aproveito hoje para falar dela numa homenagem amiga e muito sentida. Do Senhor António Sousa, olivanense de gema, exemplar chefe de família. Relembro a sua esposa que nas décadas de quarenta e cinquenta, como parteira diplomada, trazia ao mundo tanta criança. As filhas Lúcia e Ângela, componentes duma primitiva equipa feminina de basquetebol no Olivais. A Lúcia tantos anos empregada de escritório nas Fábricas Triunfo que casou com Fausto Correia e que foi mãe do Fausto Sousa Correia, um dos raros políticos portugueses que merece ser recordado a letras de ouro. A Ângela que casou com o José Arsene e que tão nova foi para o Brasil onde viveu grande parte da vida.

O Artur funcionário da Câmara Municipal, em diversas áreas que terminaram com o exercício da gestão do Estádio Municipal.

O Armando, funcionário qualificado do BES, mas com uma longa atividade dispersada pelos mais diversos setores.

O António (o Tony) exercendo a sua atividade profissional na Recauchutagem Lusa, com o desempenho de uma ação distribuída por muitos outros ramos de atividade.

Todos praticantes de basquetebol no nosso Olivais onde todos constituíamos uma família especial no convívio, camaradagem e amizade de pureza ímpar.

As saudades que tenho desses tempos maravilhosos são sempre, nas múltiplas recordações, compartilhadas pela memória dos membros desta família de eleição.

Todos eles estão presentes no nosso jornal e nesta data. É para eles que deixo este apontamento com a certeza de que os anos continuarão a passar mas que “O Despertar” não abdicará, por mais difíceis que sejam os obstáculos a transpor, dos grandes e nobres princípios com que nasceu há cem anos.

JOÃO BAPTISTA (colaborador de “O Despertar”)