Jornalismo de proximidade e de liberdade

//Jornalismo de proximidade e de liberdade

Mais do que o número que vale por si, os cem anos de “O Despertar” representam uma vida de dedicação a causas muito próprias da imprensa regional (a defesa da sua terra), do jornalismo (a defesa da liberdade e da verdade) e da República em que nasceu e se afirmou.

Título incontornável da história da imprensa de Coimbra, do mundo do jornalismo de proximidade, “O Despertar”, num formato maior ou menor, de bissemanário ou semanário, em tempos de liberdade ou de censura, em épocas de alguma prosperidade ou de forte crise, sempre foi fiel ao trajeto que traçou no (seu) princípio e que tudo fez para dele nunca se afastar.

O principal mérito deste percurso pertence, naturalmente, aos fundadores e continuadores – em especial à família Sousa – do projeto “O Despertar”. Mas também (como sempre fizeram questão de destacar, desde o primeiro ao número que hoje se publica, os seus responsáveis), aos seus leitores, amigos e anunciantes (como não se cansava de alertar o diretor Artur Sousa) e que, afinal, eram e são todos amigos.

Todos amigos de “O Despertar”, porque amigos e defensores da imprensa regional, do jornalismo de proximidade e, sobretudo, do jornalismo que é jornalismo, porque feito de rigor e verdade, mais ainda quando estão em causa causas. E que, no caso do mais antigo jornal de Coimbra, foram e são as causas de Coimbra, da cidade viva, em liberdade e democracia.

Tudo isto e mais, muito mais, são razões de sobra para que eu tenha pelo mais antigo jornal de Coimbra todo o reconhecimento, respeito, admiração e amizade.

A minha ligação a “O Despertar” tem ainda, no entanto, outra dimensão, resultante de nele ter trabalhado pelos anos em que o nosso jornal assinalou as suas bodas de diamante, “a caminho do centenário”, como então fazia questão de sublinhar o Fausto, o Fausto de Sousa Correia, que tanto fez para que, a partir de hoje, o jornal seja centenário.

E vivido por dentro “O Despertar” também não engana. Nem ele, nem quem nele então trabalhava ou ainda trabalha (nem podia ser de outra forma: o produto resulta, essencialmente, do caráter, empenho e dedicação de quem o fabrica). Agradeço, também por isso, à Carla, ao Carlos, à Diana, ao Fernando, à Paula e à Zilda (por ordem alfabética) a minha passagem pelo jornal, então sediado na Rua Pedro Rocha, bem na Baixa da cidade. Sem esquecer, naturalmente, os nossos diretor Artur Sousa e António (‘Toni’) Sousa.

Mas o século que “O Despertar” agora completa também é devido à sua nova família, o Grupo Media Centro. Sem ela, o mais antigo jornal de Coimbra não teria, com certeza, chegado ao centenário, a caminho dos 125 anos (como seguramente estará, algures, a projetar o Fausto).

Por isso também a minha admiração, respeito e reconhecimento à outra família de ‘O Despertar’, que, afinal, é a mesma à qual o jornal sempre pertenceu e pertence: a família das causas de Coimbra e do jornalismo de proximidade e de liberdade.

JOÃO FONSECA (jornalista)