Centenário de “O Despertar”: António Vieira Cura revisita história da Imprensa Regional

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A Imprensa Regional esteve também em destaque no jantar tertúlia de “O Despertar” (21 de abril), não fosse este um jornal regional e o mais antigo de Coimbra, cujas celebrações do centenário estão a decorrer desde o passado dia 2 de março, estando previstas iniciativas até ao final do ano.

O programa deste evento começou precisamente com um revisitar da história da Imprensa Regional, tema que foi apresentado pelo professor António Vieira Cura, da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, numa palestra promovida com o apoio do Instituto Jurídico da Comunicação (IJC) que teve como moderador João Nuno Calvão da Silva (docente da Faculdade de Direito e diretor do IJC) e que contou ainda com a participação do jornalista Lino Vinhal, que representou “O Despertar” nesta sessão.

João Nuno Calvão da Silva deu o mote para esta palestra, começando por destacar o papel de proximidade dos jornais regionais que, como sublinhou, “são mais lidos do que os nacionais”. Deixou também uma palavra de elogio a Fausto Correia, “homem de afetos e de um humanismo extraordinário” que não conheceu pessoalmente mas cuja obra admira.

Lino Vinhal também recordou o amigo e agradeceu à família o ter-lhe confiado “a memória do dr. Fausto”, que tinha “um gosto enorme” que “O Despertar” chegasse aos 100 anos. Atingido esse feito histórico, agradeceu às várias gerações que trouxeram o jornal até aqui e considera que “O Despertar” “está mais novo” – sendo mesmo o mais jovem dos 31 jornais centenários do país que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reconheceu na terça feira, 25 de Abril – e mostra-se confiante no futuro da imprensa. “Eu acredito muito na imprensa de proximidade. Quem prevê e deseja o fim da imprensa porque vem aí o digital engana-se. A imprensa não vai acabar”, sublinhou, considerando que, apesar do digital chegar mais rápido, “quem transporta o afeto e o carinho das notícias é ‘O Despertar’ e os outros jornais”.

E foi todo o percurso da Imprensa Coimbrã que foi recordado nesta palestra por António Vieira Cura. Desde o “Minerva Lusitana”, o primeiro jornal a surgir em Coimbra, em 1808, até à atualidade, o professor percorreu os mais importantes títulos surgidos, dando conta, em muitos casos, do contexto social e histórico em que apareceram e viveram, sendo poucos, dos muitos títulos surgidos desde 1808, os que ainda hoje perduram.