Células estaminais do cordão umbilical podem atrasar progressão da doença

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As células estaminais do sangue do cordão umbilical poderão a vir a ser uma alternativa terapêutica para a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), cuja esperança média de vida dos doentes é de apenas três a cinco anos.

Atualmente, estão em curso vários estudos pré-clínicos e ensaios clínicos para avaliar o potencial do sangue e do tecido do cordão umbilical no desenvolvimento de novas opções terapêuticas para a doença. Resultados preliminares de estudos em modelos animais indicam que a infusão de células estaminais do sangue do cordão umbilical tem um efeito positivo, provocando um atraso na progressão da doença e aumentando significativamente o tempo de vida dos ratinhos tratados, relativamente ao grupo controlo.

Este estudo teve como objetivo compreender quais os efeitos das células estaminais na progressão da doença, considerando, posteriormente, as doses administradas e o momento da intervenção. Ao observar a evolução dos ratinhos, verificou-se um atraso na progressão da ELA e um aumento significativo do tempo de vida. Contudo, os ratinhos tratados com sangue do cordão umbilical numa fase mais avançada da doença, necessitaram de uma dose celular maior para sentir os benefícios do tratamento. Por outro lado, verificou-se também que a administração de várias doses celulares mais pequenas ao longo do tempo resultou em melhorias significativas no tempo de vida dos ratinhos, uma que vez que se observou um atraso na progressão da doença e uma melhoria na sobrevivência dos neurónios motores.

Atualmente, as opções de tratamento para a ELA são ainda muito limitadas e o único medicamento aprovado acrescenta apenas uns meses à baixa esperança média de vida destes doentes. A hipótese mais aceite, até ao momento, prende-se com a capacidade que as células do sangue do cordão umbilical têm para modular o microambiente onde estão inseridos os neurónios, promovendo a sua sobrevivência”, explica Bruna Moreira, Investigadora no Departamento de I&D da Crioestaminal.Acrescenta, ainda, que “a intervenção precoce e a dose celular administrada parecem ser fatores determinantes na eficácia do tratamento” e considera que, “analisando estes resultados, em conjunto com os ensaios clínicos que estão a decorrer em todo o mundo, justifica-se a investigação em humanos, mesmo na fase sintomática da doença, de forma a compreender o grau de eficácia do tratamento”.

A ELA é uma doença neurodegenerativa muito grave causada pela degeneração progressiva dos neurónios motores, que transmitem os sinais necessários à contração muscular. Os doentes com ELA, com o avançar da doença, vão perdendo força muscular e, eventualmente, deixam de conseguir manter as suas funções vitais. A patologia afeta 450 mil pessoas em todo o mundo e não são conhecidas as causas que levam ao seu aparecimento. Após o início do desenvolvimento da doença, os doentes apresentam uma esperança média de vida de apenas três a cinco anos, sendo a principal causa de morte a insuficiência respiratória.