Saúde: Cloreto de etilo em spray poderá ser o método ideal para prevenir a dor

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Um estudo liderado por um investigador da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) e por uma enfermeira especialista em saúde infantil e pediatria do serviço de Ambulatório do Hospital Pediátrico de Coimbra vem demonstrar que o cloreto de etilo em spray poderá ser o método analgésico ideal para prevenir a dor associada à punção com uso de agulha em crianças.

De acordo com os resultados do estudo, da responsabilidade do professor Luís Manuel da Cunha Batalha e da enfermeira Maria Matilde Marques Correia, de entre um conjunto de anestésicos analisados, o cloreto de etilo em spray, que é muito pouco utilizado em Portugal neste cenário clínico, revelou ser “o único que não requer tempo de espera entre a aplicação e a punção”, que “não exige penso oclusivo” e que tem a vantagem de ser “consideravelmente mais barato”.

O estudo “Intervenção farmacológica na prevenção da dor da punção venosa na criança”, que comparou cinco analgésicos de aplicação tópica para prevenir este tipo de dor – também a lidocaína a 10 por cento em spray, o cloridrato de lidocaína a dois por cento em gel, o EMLA em creme (composto de lidocaína a 2,5 por cento e prilocaína a 2,5 por cento) e a lidocaína a quatro por cento em creme –, mostra que “nenhum dos anestésicos tópicos apresentou superioridade na prevenção da dor” e que “todos se revelaram eficazes, com uma intensidade de dor em mediana abaixo de dois pontos, o que é considerado um bom indicador de qualidade de cuidados na prevenção da dor”.

Ainda segundo resultados do estudo, também “a facilidade da punção, visibilidade e/ou palpação da veia, número de tentativas para sucesso na punção e a cooperação da criança no procedimento foram semelhantes entre os grupos”.

As principais diferenças entre os analgésicos tópicos estudados situam-se, pois, ao nível dos procedimentos requeridos aquando da respetiva aplicação e no tocante aos custos. A utilização do cloreto de etilo em spray representa 40 por cento dos gastos com o método mais dispendioso e, por sinal, mais utilizado, o EMLA.

Este estudo randomizado controlado foi desenvolvido ao longo de três anos (entre 2014 e 2016) e envolveu 350 crianças, com idades compreendidas entre os seis e os 17 anos, com necessidade de punção venosa, acompanhadas pelos pais.

O uso do cloreto de etilo num departamento de ambulatório pediátrico revela vantagens na relação custo-benefício”, seja “de forma direta (custos financeiros)”, seja “indiretamente, no menor tempo de ausência dos pais no local de trabalho e das crianças na escola”, mas também ao nível dos “custos com os materiais necessários para a aplicação do penso oclusivo e com o trabalho do enfermeiro”, afirmam Luís Batalha e Maria Correia, considerando ainda que há “potenciais benefícios na redução da ansiedade da criança, pela ausência de tempo de espera entre a aplicação do anestésico tópico e a punção”.