AVC: População deve conhecer sintomas para agir rápido

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O Acidente Vascular Cerebral é “um ataque cerebral, prevenível e tratável”. Elsa Azevedo, vice-presidente da Sociedade Portuguesa do AVC e da Portugal AVC, defende que esta doença “deve estar no topo da agenda política em saúde”.

Num artigo divulgado, no âmbito do Dia Mundial do Cérebro, que se assinalou no sábado (22 de julho), a neurologista defende que deve ser dada especial atenção à “eliminação do tabaco e devem ser implementadas leis neste sentido”.

O perigo da pressão arterial elevada deve ser conhecido e devem ser disponibilizadas medicações a custo favorável. As unidades de AVC devem ser estabelecidas em todos os hospitais diferenciados. Deve ser assegurada a existência de medicamentos para eliminar o trombo e a sua utilização atempada. Devem ser estabelecidos centros e programas de reabilitação”, defende.

Este ano a Federação Mundial de Neurologia (WFN) escolheu o AVC como tema para o Dia Mundial do Cérebro, data que a Sociedade Portuguesa do AVC aproveitou, juntamente com outras entidades desta área, para fornecer material informativo e estimular todos os profissionais de saúde a participarem, através da organização de pequenas ações locais.

Para além do peso do AVC como grande causador de incapacidade permanente e de mortalidade, a relevância da informação à população prende-se muito com o facto de ser uma doença que se pode prevenir e que se pode tratar de forma eficaz na maioria dos casos, se forem cumpridos determinados cuidados. Sim, o AVC é um ataque cerebral, mas pode ser prevenido e tratado”, esclarece Elsa Azevedo.

De acordo com os dados divulgados, um em cada seis pessoas no mundo sofre um AVC na vida, problema que pode afetar qualquer um, homens, mulheres, crianças ou idosos. O AVC ocorre subitamente, com sintomas e incapacidade súbita, e é muitas vezes incapacitante, já que quase 30 por cento dos sobreviventes padece de alguma incapacidade permanente. Os números dão ainda conta que quase 30 por cento das pessoas com AVC acabam por morrer na sequência desta doença.

Mas nem tudo são más notícias, daí ser importante que todos estejam esclarecidos. A vice-presidente da Sociedade Portuguesa do AVC diz que “metade dos AVCs poderiam ser prevenidos controlando a pressão arterial e deixando de fumar” e dá ainda conta que, na fase aguda, o tratamento adequado pode reduzir as taxas de morte e incapacidade em 50 por cento.

Medidas de prevenção que podem ajudar

Há cuidados que podem ajudar a prevenir o AVC. Elsa Azevedo recomenda a medição regular e o controlo da pressão arterial e alerta para o facto de cerca de 30 por cento dos AVC poderem ser prevenidos baixando a tensão arterial, o que pode passar pela redução (ou eliminação) do consumo de sal.

Deixar de fumar, controlar a diabetes e o colesterol, praticar exercício diário, evitar a obesidade, verificar periodicamente as pulsações cardíacas e analisar com o médico a necessidade de detetar os depósitos das placas ateroscleróticas nas artérias carótidas são algumas das recomendações dadas por Elsa Azevedo.

Face, força e fala são os três “F” de alerta que é preciso reconhecer para agir atempadamente. Se acha que alguém pode estar a sofrer um AVC peça-lhe para sorrir, levantar os braços e repetir uma frase simples. Se um dos lados estiver paralisado, se um dos braços descair ou se as palavras saírem “enroladas” deve ligar imediatamente para o 112 e fazer com que a pessoa seja transportada imediatamente para a urgência hospitalar, na certeza de que, nestes casos, o tempo é fundamental.