SRCOM acusa ministério de “travar” colocação de médicos de família na região Centro

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A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) critica o “desprezo” do ministério da Saúde para com os 290 médicos recém-especialistas de Medicina Geral e Familiar que aguardam, há três meses, a publicação do mapa de vagas por unidades funcionais dos Agrupamentos de Centros de Saúde.

 “Na região Centro, 52 médicos de família estão a aguardar abertura de concurso público que já poderiam estar a prestar cuidados de saúde a quase 99 mil utentes. A nível nacional, mais de 500 mil utentes ficariam com médico de mamília (dos 800 mil utentes atualmente sem médico)”, sublinha a SRCOm em nota divulgada.

É inconcebível esta inércia do ministério da Saúde. Os recém-especialistas já deveriam estar a contribuir para a diminuição do número de utentes sem médico de família. Pior: estes jovens médicos acabam por desmoralizar e tentar outras vias para além do Serviço Nacional de Saúde”, alerta Carlos Cortes. O presidente da SRCOM há muito que exorta para “a celeridade e transparência dos procedimentos concursais dos recursos humanos médicos” e, citando dados da Administração Central do Sistema de Saúde, lembra que, no primeiro trimestre deste ano, mais de 800 mil utentes não têm médico de família atribuído.

Há precisamente três meses, desde a conclusão das provas referentes ao exame para a obtenção do grau de especialista em Medicina Geral e Familiar, que os mais jovens médicos de família aguardam pela abertura de concursos. “O impacto negativo deste atraso é tremendo. Os doentes são os mais prejudicados. É uma situação intolerável”, denuncia Carlos Cortes.

Atestados para carta de condução prejudicam atendimento

A SRCOM exige ainda que o ministério da Saúde cumpra a sua promessa de criação dos Centros de Avaliação Médica e Psicológica (CAMP) e alerta para o facto dos utentes dos serviços de saúde estarem a ser prejudicados no atendimento, devido à burocracia e ao tempo necessário para os médicos de família emitirem eletronicamente os atestados necessários para a carta de condução.

Recorde-se que desde o passado dia 15 de maio, todos os atestados médicos para a carta de condução têm obrigatoriamente de ser emitidos por via eletrónica. No entanto, um recente questionário de avaliação de satisfação realizado pelo Gabinete de Informação e Tecnologia da SRCOM a um conjunto de 506 médicos revelou que 95,8 por cento destes profissionais não têm ao seu dispor todos os meios de que necessitam para a avaliação pormenorizada do utente. Como consequência desta situação, 87,9 por cento dos médicos inquiridos afirmaram que é necessário mais do que uma consulta para emitir este atestado e 93,3 por cento dos médicos consideram que a relação médico-doente pode ser posta em causa.