Portugueses ainda desconhecem riscos e formas de transmissão das hepatites

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Os portugueses ainda não estão devidamente atentos ao problema das hepatites e desconhecem os riscos e formas de transmissão. A garantia é dada por Arsénio Santos, coordenador do Núcleo de Estudos das Doenças do Fígado, da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), a propósito do Dia Mundial da Luta contra as Hepatites, que se assinalou na passada sexta feira, 28 de julho, e que teve como lema a eliminação da hepatite viral.

Há, hoje em dia, maior interesse das pessoas por estes temas mas a informação que têm é muitas vezes incompleta e distorcida”, reforça o especialista da SPMI que, entre as maiores lacunas na população nacional, destaca “o conhecimento muito genérico e superficial destas coisas, havendo ainda grande desconhecimento acerca dos riscos e formas de transmissão das hepatites”. Considera que “esse desconhecimento é grande, sobretudo nos jovens, podendo a solução passar por um ensino destes temas mais profundo, preciso e rigoroso, a nível das escolas”.

Arsénio Santos entende que, na divulgação que é feita para a população em geral, “é preciso que sejamos mais diretos, claros e assertivos”, pois constata que “nem sempre a mensagem que passa é a mais correta”.

A hepatite viral é uma das principais causas de morte no mundo, responsável por 1,34 milhões de óbitos por ano, tantos quanto os provocados pelo VIH/sida, a tuberculose ou a malária. Contas feitas, Hepatite B e Hepatite C são responsáveis por 80 por cento dos casos de cancro do fígado em todo o mundo. Em Portugal, a Hepatite A “tem atualmente uma incidência mais baixa do que no passado, devido à melhoria das condições higieno-sanitárias”, refere o especialista. No caso das hepatites B e C, “segundo o último estudo realizado entre nós, estima-se que, em Portugal, tenham Hepatite B cerca de 1,4 por cento das pessoas e 0,5 por cento tenham hepatite C”. Embora o número de novos casos diagnosticados tenha vindo a diminuir nos últimos anos, sublinha que o objetivo deve passar pela “redução ao mínimo de novas infeções”.

Reconhecido pela Organização Mundial da Saúde, o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites une organizações de doentes, governos, profissionais de saúde, indústria e público em geral à volta do mesmo objetivo: divulgar informações sobre as doenças e ajudar na sua eliminação.

No entanto, Arsénio Santos considera que “pensar na erradicação da Hepatite C a médio prazo é uma perspetiva demasiado otimista” porque, apesar dos programas de rastreio, do maior número de diagnósticos e do aumento progressivo dos doentes tratados, “será por enquanto impossível impedir que haja novos casos de infeção”. Apesar de tudo, espera “que venhamos a verificar na próxima década uma diminuição drástica do número de novos casos de infeção e de complicações da doença crónica”.