Nas margens do Ceira

//Nas margens do Ceira

Tiveram lugar as eleições autárquicas. Decorreram num ambiente de ordem, respeito, plena democracia. Ainda bem.

O povo, soberano e livre nas suas escolhas, fê-las dando, no cômputo geral, uma esmagadora maioria ao Partido Socialista. Aumentam as responsabilidades de quem governa que tem que mostrar-se merecedor da confiança e da esperança nele depositadas.

Apesar de assumirem um caráter local os resultados exprimem sempre uma visão global do conceito em que é tido quem está no topo da governação do país. Por isso o descalabro do PSD, já esperado, provoca a situação que o partido vive na hora presente.

Mas o meu pensamento debruça-se, especialmente, sobre Coimbra e Ceira.

À Câmara Municipal vai continuar a presidir Manuel Machado. 35,46% dos votantes deram-lhe o seu apoio. Quer dizer que pouco mais do que um terço o deseja como Presidente da Câmara. Sem maioria absoluta vai ter que encontrar, por certo, apoios nas outras forças partidárias. Desejo-lhe um mandato capaz de resolver muitos dos problemas que afetam Coimbra. Mas quando escrevo Coimbra não me confino à cidade propriamente dita mas sim a todo um vasto concelho. Não foi na Coimbra urbana mas sim na Coimbra rural que Manuel Machado encontrou mais apoio para a sua eleição. Desejo, sincera e esperançadamente, que isto possa contribuir para que os olhos da governação municipal se espraiem mais sobre as freguesias limítrofes.

Ceira tem que ver resolvidos, com brevidade, problemas que a afetam. Torna-se necessária uma atuação rápida no alargamento do cemitério, que nem por ser paroquial deve deixar de ser considerado. O Parque Infantil porque há tanto se luta deve ser encarado de uma vez por todas. Os transportes municipais devem chegar através de rotas já solicitadas. A foz do Rio Ceira tem que voltar a ser o que era e não a vergonha que é. Do Metro Mondego não vou falar agora. O empenhamento na sua implantação há muito que vi que é pouco ou nenhum.

Em Ceira, para a Assembleia de Freguesia, com maioria absoluta ganhou o PS. O povo reconheceu a validade do trabalho efetuado durante o último mandato e voltou a colocar Fernando Santos como Presidente da Junta. Há quatro anos não o conhecia. E se é certo que os nossos contactos não são muito frequentes a sua dedicação a Ceira, o seu empenho em valorizar a freguesia, a sua esmerada educação, a sua luta, quantas vezes inglória perante as dificuldades, a sua coragem em não virar a cara aos problemas, fazem com que entenda que, com a experiência adquirida, vai poder bem desempenhar o seu mandato. Ele sabe bem que estou a ser sincero no que escrevo. É evidente que o trabalho duma Junta de Freguesia é sempre coletivo e aqui Fernando Santos encontrou em Fernando Almeida e Júlia Antunes dois companheiros que foram preciosos e indispensáveis na luta travada dia a dia.

Como é evidente desejo-lhes as maiores felicidades futuras e desejo igualmente que quem o povo quis que ficasse na oposição saiba com verdadeiro sentido democrático contribuir para uma freguesia onde cada vez se tenha melhor qualidade de vida.

Não resisto em referenciar uma frase que consta do folheto de propaganda eleitoral do PS em Ceira: “Temos adversários não temos inimigos”.

Que ela seja entendida por todos para bem de todos.

JOÃO BAPTISTA