Especialistas analisam impacto do cancro na sexualidade e fertilidade

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O Núcleo Regional do Centro da Liga Portuguesa Contra o Cancro (NRC-LPCC) volta a promover, em Coimbra, a 7 e 14 de dezembro, um curso sobre “Sexualidade, Fertilidade e Cancro”. Dirigida a profissionais de saúde, esta formação pretende dar a conhecer as diversas formas de intervenção dirigidas às dificuldades sexuais do doente oncológico e de preservação da fertilidade.

Com uma duração de 13 horas, o curso vai decorrer nas instalações do NRC-LPCC e a participação é gratuita, embora sujeita a inscrição, que pode ser já efetuada no site da Liga, em https://www.ligacontracancro.pt/.

Esta nova edição de “Sexualidade, Fertilidade e Cancro” realiza-se, como explica o Núcleo Regional, “na sequência de um balanço muito positivo da primeira ação, verificando-se ainda uma assinalável procura por parte dos profissionais de saúde para ampliar os seus conhecimentos sobre sexualidade, fertilidade e cancro”.

O curso visa proporcionar a aquisição e/ou aprofundamento de conhecimentos na área da sexualidade e fertilidade de doentes oncológicos e dar a conhecer as diversas formas de intervenção dirigidas às dificuldades sexuais do doente oncológico e de preservação da fertilidade. O NRC-LPCC espera, ainda, que “tenha importantes implicações para a prática clínica, nomeadamente na melhoria da prática profissional ao nível dos compromissos sexuais e ao nível da fertilidade que podem acompanhar a experiência da doença oncológica”.

O curso começa no dia 7 de dezembro com uma intervenção sobre Epidemiologia da Doença Oncológica, por Carlos Freire de Oliveira (presidente da LPCC-NRC), seguido de uma sessão com Joaquim Andrade (Hospital de S. João) sobre linfomas e leucemias. Da parte da tarde serão abordados os cancros urogenital e da mama, por Belmiro Parada (Centro de Preservação da Fertilidade – Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra) e Gabriela Sousa (Instituto Português de Oncologia de Coimbra/Presidente SPO), respetivamente.

Na semana seguinte, a 14 de dezembro, as temáticas são mais específicas da sexualidade e fertilidade. As “Dificuldades Sexuais no Doente Oncológico” é o tema da intervenção do início do dia, por Graça Santos (CHUC). Desde a abordagem genérica, passando pela questão prática das técnicas de preservação da fertilidade, aborda-se ainda tanto a tomada de decisão sobre preservação da fertilidade em doentes oncológicos como as questões éticas em oncofertilidade. Estas temáticas ficarão a cargo da equipa do centro de preservação da fertilidade, nomeadamente de Teresa Almeida Santos, Ana Paula Sousa e Cláudia Melo, sendo as questões éticas abordadas por Margarida Silvestre.

O curso “Sexualidade, Fertilidade e Cancrotem o patrocínio científico do Centro de Preservação da Fertilidade, Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução e Sociedade Portuguesa de Oncologia.

A sexualidade e fertilidade dos doentes oncológicos é uma preocupação do NRC-LPCC que, nesta área, para além destes cursos, já organizou a iniciativa “Oncofertilidade, uma nova abordagem dos doentes jovens com cancro” e tem ativamente divulgado documentação sobre estes temas, tanto para especialistas de saúde como para o público em geral.

O cancro e seus tratamentos resultam num impacto psicossocial significativo para o doente e sua família. Uma comorbilidade psiquiátrica, crise espiritual, mudança na rotina diária e estilo de vida e alterações nas relações familiares e sociais podem ocorrer ao longo do curso da doença, sendo a qualidade de vida uma das áreas mais afetadas pelo cancro, incluindo o funcionamento sexual. Assim, quer o diagnóstico, quer o tratamento do cancro podem aumentar o risco de infertilidade e conduzir a dificuldades ao nível da intimidade e sexualidade, com causas quer físicas, quer psicológicas”, esclarece o NRC-LPCC. Dá ainda conta que “a perda de desejo sexual, disfunção erétil e dor durante o ato sexual são os problemas mais comuns em doentes oncológicos, os quais, conjuntamente com uma possível infertilidade temporária ou permanente, podem contribuir para um exacerbar do distress emocional do doente”.