Portugueses sabem bem o que são cuidados paliativos

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Mais de 90 por cento dos portugueses sabem bem o que são os cuidados paliativos, de acordo com o estudo “Cuidados paliativos: o que sabem os portugueses”, realizado pela Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP), em parceria com as Farmácias Holon, Universidade Católica Portuguesa – Instituto de Ciências da Saúde e o Observatório Português dos Cuidados Paliativos (OPCP).

A pesquisa permitiu conhecer o nível de informação da população e contribuir para o seu fortalecimento em saúde. “A APCP e o OPCP, beneficiando de uma parceria de colaboração com as Farmácias Holon, pretenderam com esta pesquisa conhecer a realidade portuguesa face ao desenvolvimento e proliferação dos cuidados paliativos no nosso país, nos últimos 10 anos”, explica Manuel Luís Capelas, presidente da APCP.

O especialista sublinha que os resultados obtidos permitem concluir que “existe um bom conhecimento acerca do conceito, mas menor nos objetivos e forma de trabalho dos cuidados paliativos”. Adianta ainda que “existem também fatores que continuam a condicionar, de forma grave, a disparidade deste conhecimento”.

Estamos perante uma total mudança de paradigma. As pessoas sabem o que são estes cuidados e que têm direito a usufruir deles sendo por isso expectável que os exijam junto dos profissionais de saúde e, acima de tudo, que exijam uma maior resposta por parte do nosso Serviço Nacional de Saúde”, frisa.

De acordo com o estudo, mais de 90 por cento dos inquiridos sabe o que são cuidados paliativos, no entanto 6,6 por cento pensa que são cuidados que atrasam ou adiam a morte. Dos inquiridos, 64,9 por cento referem que nunca tiveram qualquer contacto com equipas de cuidados paliativos embora já tivessem ouvido falar destas equipas; 6,7 por cento nunca ouviram falar sobre equipas de cuidados paliativos; apenas 75 por cento dos cidadãos identifica adequadamente os objetivos dos cuidados paliativos; e mais de 80 por cento dos sujeitos gostariam de ser cuidados/tratados em cuidados paliativos ou em unidades de cuidados paliativos.

A análise dá também conta que a palavra “cancro” continua a ser bastante associada a estes cuidados (36,9 por cento) e que a escolaridade, rendimento, idade e local de residência (urbana e zona rural) continuam a influenciar os resultados ao nível do conhecimento destes cuidados.

Apesar destes resultados serem favoráveis e tendo em conta todos os fatores influentes, importa reforçar o processo de disseminação dos conceitos-chave dos cuidados paliativos junto da sociedade portuguesa, através de campanhas e ações de formação, visto em alguns setores os resultados obtidos apontarem para défices importantes”, conclui Manuel Luís Capelas.

Os inquéritos foram aplicados em Farmácias Holon do continente e ilhas, de julho a setembro de 2017, a uma amostra acidental de 795 sujeitos, com mais de 18 anos.