COMBOIO DA LOUSÃ: O TABU

//COMBOIO DA LOUSÃ: O TABU

Li, no início desta semana, um texto de opinião inserido no jornal DIÁRIO DE COIMBRA com o título METROBUS: O TABU. É autor da opinião o engenheiro MÁRIO TELES que mostra estupefação pelo facto de os executivos municipais de Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã quase não terem falado do Sistema de Mobilidade do Mondego durante a recente campanha eleitoral autárquica. No meu entendimento fizeram bem estes avisados autarcas ao silenciarem o que ainda não estará completamente definido e é oportuno que volte a ser reequacionado no sentido de ser retomada a LINHA FERROVIÁRIA DA LOUSÃ COM LIGAÇÃO NA ESTAÇÃO DE COIMBRA B ÀS LINHAS DO NORTE E DA BEIRA ALTA. Creio que o senhor engenheiro MÁRIO TELES é uma personalidade com conhecimento de transportes e também dos autocarros elétricos (os quais pretendem impingir para a nossa região), mostrando no seu artigo uma foto de um modelo de autocarro elétrico apresentado, recentemente, numa feira do setor. Talvez num país em vias de desenvolvimento?

O certo é que o engenheiro Mário Teles alerta que algumas personalidades que possam vir a abordar o projeto (em concreto políticos na oposição aos partidos que venceram as eleições) estão com ideias antiquadas, escrevendo, e cito: “alguns têm a ideia antiga e tecnicamente pouco viável da ferrovia, solução esta que já foi posta de lado por várias entidades e por várias vezes por não estar assegurada a viabilidade económica da mesma”.

Estou convencido que o engenheiro autor deste artigo não estará ligado a empresas interessadas em venderem autocarros elétricos para a nossa Região e reafirmo parecer-me entendido nesta matéria, mas parte de uma premissa errada, na minha talvez ousada opinião, ao confundir as necessidades/interesses da população da Lousã e de Miranda com interesses da população de Coimbra/área urbana. O que os utentes do Ramal da Lousã já disseram foi que não estão satisfeitos com os autocarros que andam, atualmente, a substituir o comboio e a maioria opina – e bem -, não querer ouvir falar mais em autocarros, sejam elétricos ou não, e que O NECESSÁRIO É REPOR A FERROVIA COMO ESTAVA sendo que já passou à história a hipótese do METRO LIGEIRO DE SUPERFÍCIE sobre carris. A maioria parece, pois, desejar a antiga LINHA FERROVIÁRIA DA LOUSÃ com COMBOIOS E AUTOMOTORAS. E, para além de comboios de passageiros é preciso retomar o TRANSPORTE FERROVIÁRIO DE MERCADORIAS. O senhor engenheiro sabe, seguramente, que há anos circulavam com alguma regularidade COMBOIOS DE MERCADORIAS NO RAMAL DA LOUSÃ? Já viu como é fácil, por exemplo, despachar madeira diretamente para a Figueira (Porto da Figueira e Empresas de Celulose por comboio em vez de os camiões andarem a encher as nossas estradas?).

É importante retomar a ferrovia suspensa porque ela é fundamental em termos de passageiros e de mercadorias como alavanca de progresso social e económico (comercial e industrial) desta sofrida zona. Para a área urbana, dentro de Coimbra, estamos de acordo com a criação de uma REDE DE AUTOCARROS ELÉTRICOS até porque a orografia nos casos da Lousã e Miranda é mais favorável ao comboio do que a autocarros. Assim já ficariam todos satisfeitos: e COIMBRA terá uma pequena rede urbana de Metrobus, o tal desejado Metro.

Escreve o meu admirado amigo ZÉ OLIVEIRA, cartunista de referência e membro do jornal TREVIM, que o nome METRO já indicia ser um transporte para a metrópole (zona urbana) e não para os meios rurais.

Ceira, Trémoa, Miranda do Corvo, Lousã e Serpins NECESSITAM COM URGÊNCIA da REPOSIÇÃO da sua centenária LINHA FERROVIÁRIA da LOUSÃ que até era rentável apesar de lhe terem retirado a componente importante do Transporte de Mercadorias. Julgo que esta vetusta LINHA FERROVIÁRIA DA LOUSÃ será retomada em breve (obviamente no traçado que sempre teve) e não se preocupe o Autor do aludido texto de opinião que ao devolverem a Linha Ferroviária da Lousã, a cidade de Coimbra e região não ficarão com UMA MÃO CHEIA DE NADA. Quem ficou quase sem nada, mal servida, foi a população utente do Ramal da Lousã porque lhes prometeram um Metro Sobre Carris coisa que o senhor engenheiro vem também agora afirmar ser dispendiosa. Pois! Por isso BARATINHO é repor a Linha Férrea da Lousã. E JÁ! E parece-me que os partidos de oposição à gestão camarária do PS na área servida pelo Comboio da Lousã não estarão tão desatualizados como o senhor engenheiro perceciona. E todos vão lucrar com uma aposta na ferrovia: talvez isso justifique TANTO SILÊNCIO E TANTO TABU da parte do PS e do Governo porque é necessário arrepiar caminho, arregaçar as mangas e pôr mãos à obra ou obras do Ramal Ferroviário da Lousã e do Metro com bus, este apenas em Coimbra. Até Coimbra lucrará ao ficar com o metrobus, mas atenção que os tróleis e autocarros dos Serviços Municipalizados talvez façam melhor serviço… de qualquer modo parece-me oportuno que COIMBRA aproveite uma linha de METROBUS para ligar Hospitais (Universidade e Pediátrico) à Avenida Central, Largo da Portagem e Estação Velha de COIMBRA-B.

NESTE MOMENTO, e se o Governo e o Partido Socialista quiserem, de facto, prestar um serviço desejado pelas populações urbanas e rurais e que possa ser mais económico e rentável devem apostar logo que possível no METROBUS apenas para a área urbana de Coimbra e reporem a LINHA FERROVIÁRIA DA LOUSÃ a atravessar a Baixa de Coimbra (e como acontece em grandes cidades COM SEPARADORES DE PROTEÇÃO) sendo que atualmente não há apenas uma ponte na cidade. Assim não é problema (como já foi em tempos) a perda de segundos no trânsito automóvel entre margens do rio enquanto o comboio passa na Baixa.

IMPORTANTE, AGORA, É DIZER AO GOVERNO E AO PARLAMENTO (em 18/2/2016 aprovou resolução para repor a Linha da Lousã) QUE É ISTO QUE TODOS QUEREM E QUE TAMBÉM SABEMOS FAZER CONTAS DE CABEÇA AS QUAIS FICAM MAIS BARATAS DO QUE CERTOS ESTUDOS DE VIABILIDADE… QUANTOS FORAM?!!!

COM ESTA SOLUÇÃO ATÉ O MINISTRO DO PLANEAMENTO E DAS INFRAESTRUTURAS, O ECONOMISTA DR. PEDRO DE JESUS MARQUES QUE FALOU DE UM METROBUS EM TODA A EXTENSÃO, PODE REEQUACIONAR O DOSSIÊ, SERVIR TODOS DE ACORDO COM O QUE SE ENUNCIA COMO MAIS OPORTUNO E DESEJÁVEL; E GASTAR MENOS DINHEIRO FAZENDO DOIS EM UM: Comboios a serem repostos no Ramal Ferroviário da Lousã e, quando possível, um Novo Metro (metrobus) apenas para Coimbra, áreas urbana e, talvez, periurbana.

Caros Leitores: Cada um dos residentes nos concelhos de Lousã, Miranda do Corvo e Coimbra terá de sensibilizar os membros dos respetivos executivos municipais e das assembleias municipais para estes dialogarem com o GOVERNO pedindo a imediata reabertura da Linha Ferroviária da Lousã. Lembro que a Assembleia da República acaba de recomendar que seja renovada e melhorada a Linha do Oeste (Figueira-Caldas da Rainha-Lisboa) e por intermédio do Partido Os Verdes também a Linha do Leste reabriu há apenas dois meses. E o Governo Central está a fazer uma grande e aplaudida aposta na ferrovia. Por isso temos de começar a falar todos a UMA SÓ VOZ E COM UM PEDIDO CLARO: REPOSIÇÃO DA LINHA FERROVIÁRIA DA LOUSÃ e METROBUS apenas para Coimbra-cidade.

PERGUNTA-SE: QUEM TEM INTERESSE EM ESTAR A DIFICULTAR OU A DEMORAR A REPOSIÇÃO QUE DEVE SER IMEDIATA DA LINHA FERROVIÁRIA DA LOUSÃ? – Ninguém? Ótimo. Merecemos menos do que os utentes dos comboios do Alentejo e do Oeste? Claro que não e o Senhor Ministro do Planeamento vai concordar connosco e fazer o grande favor de devolver o COMBOIO DA LOUSÃ às populações…há cem anos utentes da ferrovia. Vamos todos apostar nesta solução? O POVO MERECE… E AGRADECE. É tempo de esquecer erros, estudos, utopias, megalomanias, desvarios e assentemos… ideias e os carris. PODE SER?

SANSÃO COELHO (sansaocoelho@sapo.pt)