Vontade de correr…

//Vontade de correr…

Há dias (re)encontrei-me com a Clarinha dos 8 anos. Foi uma fotografia (muito gira), que me esperava na casinha da Praceta, que motivou esta pequena viagem através da minha história.

É impossível recordar a pequenina Clarinha sem passar por Podentes porque os sábados eram quase todos saboreados nesta nossa aldeia-berço.

Em Podentes eu era (e sou) muito mais livre. Assim que chegávamos só me apetecia correr. Correr atrás das galinhas e à frente dos gansos. Os cães tinham que estar presos antes de eu sair do carro porque não eram muito simpáticos comigo e eu tinha (muito) medo deles. Adorava correr pelo meio do milho, adorava ver crescer as couves e os feijões e… adorava comer a fruta da árvore. A corrida mais gira era sempre até à eira porque dali via o mundo. Eu tinha um “truque”: de vez em quando aparecia à frente da Mãe Rosarinho para ela saber que tudo estava bem. A Avó das Sopas estava sempre mais tranquila porque tinha a certeza que em Podentes nenhum mal me aconteceria. O Pai Augusto passava a tarde a tratar de assuntos relacionados com a “gestão de Podentes” e às vezes ia dar uma volta. Eu gostava de ir ao portão vê-lo sair e sabia que não tinha autorização para passar, sozinha, aquela “fronteira”. As regras eram muito claras e a Clarinha pequenina sabia que não eram negociáveis. A hora do lanche era “hora de festa”: duas saborosas fatias de broa com omelete e uma inesquecível caneca de café feito ao lume. Não vale a pena os meus muito queridos leitores tentarem imaginar aqueles sabores porque só se repetem em Podentes. Aquele lanche alimentava (e alimenta) a minha felicidade.

Às vezes visto aquele sorriso dos 8 anos e digo aos meus amigos que cresci em Podentes. É verdade porque aqueles sábados me ajudaram a crescer. O convívio com a natureza, com os animais e com pessoas que me querem (muito) bem ajudou-me a crescer, a viver a vida com entusiasmo e a estar sempre cheia de vontade de correr…

CLARA LUXO CORREIA