Feira do Porco e do Enchido celebra tradições em Meruge

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A Feira do Porco e do Enchido regressa, no domingo (12 de novembro), a Meruge, freguesia do concelho de Oliveira do Hospital que tão fustigada foi pelos trágicos incêndios do mês passado. Este certame, que homenageia os “porqueiros” e dá a conhecer uma série de tradições associadas à matança do porco, surge, desta vez, como uma mensagem de esperança para todos aqueles que estão determinados a superar as adversidades e a fazer renascer o território.

Numa altura em que estão ainda muito vivos na memória de todos os momentos de grande angústia e desespero vividos nos incêndios que devastaram a região a 15 e 16 de outubro, a Freguesia de Meruge procura regressar à normalidade, demonstrando que todos estão unidos para fazer renascer esta região.

Apesar do cenário sombrio em tons de negro e cinza, a população e as instituições da Freguesia decidiram que era importante realizar a Feira do Porco e do Enchido, certame que vai já na 15.ª edição e que aposta na promoção de uma atividade que é tão característica na região e que tanto impulsiona a sua economia – a matança do porco e todas as tradições associadas a esta prática.

Mesmo neste contexto difícil, é importante realizar a feira e puxar pelas pessoas. Basta de chorar, agora é preciso trabalhar para reconstruir e olhar para o futuro”, sublinha Aníbal Correia, presidente da Junta de Freguesia de Meruge.

Assim, desta vez, mais do que uma feira/festa que mostra as potencialidades de Meruge e as tradições das suas gentes, este evento, promovido pela Junta de Freguesia, apresenta-se também como uma prova de capacidade da população e das “forças vivas” da região para superar a adversidade, não “baixando os braços” perante a destruição que afetou aquele território.

Aníbal Correia espera que as pessoas mostrem que continuam solidárias com as regiões afetadas pelos incêndios, desta vez através da participação neste evento, numa “mensagem de esperança num renascer promissor da natureza e do nosso devir coletivo”.

Tal como tem sido habitual, o certame decorre na Lage Grande e no Terreiro do Santo, espaços que se vão encher de gente, animação, artesanato e dos sabores únicos da gastronomia regional. De acordo com o autarca, participam no evento “mais de 100 expositores”, numa grande mostra do potencial da Freguesia.

Esta feira surgiu para enaltecer o papel que os “porqueiros” têm no desenvolvimento da economia local e também para celebrar a excelência dos enchidos confecionados em Meruge. Nos últimos anos, afirmou-se como o “mais vernáculo e atrativo cartaz lúdico/gastronómico da Beira-Serra”, transformando-se num “espaço único de gastronomia ancestral, de animação de rua multifacetada e permanente, de valorização dos produtos e do mundo rural, de aposta na música e na cultura populares”.

Apesar do programa de animação começar já amanhã à noite, com uma sessão de fados (21h00), um magusto (22h00) e teatro (23h00), o ponto alto da festa está reservado para domingo, com atividades diversificadas que vão decorrer ao longo de todo o dia e que convidam os visitantes a desfrutar das tradições e sabores da região. A nível da gastronomia, são convidados a saborear o famoso “Arroz de Sua”, que todos os anos mobiliza tantos apreciadores, mas também o “Porco no Espeto com Arroz de Feijão”, os “Torresmos à Moda de Meruge” (feitos à fogueira em caçoila de barro), a “Feijoada à Moda de Nogueirinha” e as famosas Bolas de Carne, Bacalhau ou Sardinha, que serão confecionadas ao vivo no recuperado Forno Comunitário.

Tal como manda a tradição, todos vão poder confecionar a sua própria especialidade. Para tal, têm que comprar a carne, à venda no local, e cozinhá-la nas fogueiras e caçoilas que estão disponíveis na feira, criando assim um ambiente único, de muita confraternização, partilha e convívio.

Feira com propostas para todos os gostos

Esta é uma feira com um conceito diferenciador. Tentamos implementar uma dinâmica que assente no tradicional. As pessoas podem vir e desfrutar dos pratos típicos da região servidos nas barraquinhas mas podem também adquirir a carne e grelhar as febras ou fazer os torresmos”, explica Aníbal Correia.

Em todo o recinto, estão também à venda os famosos enchidos da região, queijos, diversos produtos biológicos e endógenos e, para os mais gulosos, bolos, licores e doces confecionados tendo por base receitas centenárias. Não falta também o artesanato, num certame que apresenta grande variedade de produtos que fazem parte da identidade e da cultura do povo português. Outra das atrações é a Mostra do Porco Bísaro, com as suas ninhadas de leitões, que atraem gente de todas as idades.

A par com tudo isto, há ainda muita animação. O Grupo de Teatro e Animação Viv’Arte assegura as recriações de época e a folia que vão animar o recinto ao longo do dia, não faltando os saltimbancos, os mendigos, as alcoviteiras, os pistoleiros, entre outras figuras caricatas e divertidas. Para além da animação de rua, há ainda vários jogos tradicionais e muitos momentos musicais. Os Bombos e Adufeiras do Paul (Covilhã), o Grupo de Concertinas e Cantadores ao Desafio do Minho, a FanfarraKaústica, os Nó Kausa e o Grupo de Música Popular Terra de Sabores são algumas das atrações anunciadas.

Para o público mais jovem foi preparado um programa específico, recheado de surpresas e atrações. Destaque para os atrativos passeios de burro, que se realizam ao redor do recinto, e para a “Tenda das Mil e Uma Histórias”. Não faltarão também as pinturas faciais, os balões e muitas brincadeiras.

Este ano, devido aos trágicos incêndios, não se realiza o tradicional Passeio Pedestre mas, em vez disso, a organização convida todos os “amigos da natureza” a levar “uma planta, uma bolota, um pinhão, uma castanha e todas as sementes que possam ajudar a reflorestar muitas das áreas ardidas, nomeadamente a do Parque de S. Bartolomeu”.

Aníbal Correia deixa um convite a todos para que visitem a feira e espera que este seja um evento “muito participado e que traga muita alegria a toda a comunidade”.