Ourivesaria Costa comemorou 81 anos

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A Ourivesaria Costa completou, no sábado, 81 anos de existência. Situada na Rua Ferreira Borges, na Baixa de Coimbra, a mais antiga ourivesaria da cidade continua a proporcionar aos seus clientes uma oferta diversificada, capaz de tornar cada momento festivo ainda mais especial.

Completar 81 anos de existência é, sem dúvida, um momento de alegria e regozijo. José da Costa, proprietário da Ourivesaria Costa, não esconde a sua satisfação por celebrar mais um aniversário. Mais do que assinalar a passagem de outro ano, congratula-se por a Ourivesaria, fundada a 11 de novembro de 1936, continuar a ser uma referência na Baixa de Coimbra, onde nasceu há mais de oito décadas e onde se mantém até à atualidade.

Motivo de orgulho é também o facto de ele próprio fazer parte de quase todo este percurso, somando já 74 anos de “casa”. Recorda que começou no ofício quando tinha apenas 10 anos, numa época em que não havia trabalho infantil e em que todas as ajudas eram bem vindas para a gestão familiar. Hoje é um dos mais antigos ourives do país e sente-se orgulhoso por isso, bem como por todo o percurso que a empresa traçou ao longo de todos estes anos.

Entrei para aqui em criança, já lá vão 74 anos, e é com enorme satisfação que somos hoje a ourivesaria mais antiga de Coimbra. É um prazer muito grande estar à frente de uma casa que tem algum prestígio e que continua a merecer alguma preferência não só das pessoas de Coimbra mas também de fora”, realça.

Depois de alguns anos de maiores dificuldades financeiras, motivadas pela crise que afetou o país e que atingiu também este setor, José da Costa mostra-se mais confiante no futuro. Otimista por natureza, reconhece que há agora “uma ligeira melhoria” e considera que o aumento do turismo tem sido muito importante para o país e, neste caso particular, para a cidade de Coimbra.

É bom voltar a ver a Baixa com fluxo de turistas todo o ano. A classificação da UNESCO como Património Mundial da Humanidade ajudou bastante e hoje vemos muitos turistas a descer da Alta universitária com sacas na mão”, realça.

Apesar de ter havido uma mudança social nos últimos anos, que conduziu ao desuso de alguns artigos que antes se vendiam bem, como as pratas para adornar as casas, o ouro continua a ser aquele metal precioso muito atrativo. O ouro nunca perdeu o “brilho” e continua a ser muito apreciado. Trata-se, como explica o ourives, de “uma coisa clássica” que continua a atrair à Ourivesaria clientes de todas as idades.

O orgulho de servir várias gerações

Aos 86 anos de idade, José da Costa diz que está “contente por sobreviver”, não tendo a “pretensão de ter uma casa com grandes resultados financeiros”. Nesta fase, basta-lhe que dê “para viver” e sublinha que “é uma felicidade enorme estar na Ourivesaria, na Baixa, e conviver com todas estas pessoas que fomos conhecendo ao longo de todos estes anos”.

É ainda uma “satisfação imensa” continuar a receber clientes de décadas ou mesmo os filhos e netos destes que, tal como sucedeu nas gerações anteriores, vêm comprar também as alianças, os anéis de curso ou outros produtos, como pratas, filigranas e relojoaria.

É muito agradável ver que pessoas que compraram aqui as suas alianças de casamento vêm agora, 50 anos depois, comprar as das Bodas de Ouro. É também muito bom receber os seus filhos e netos, que aqui chegam e nos dizem que vêm por sugestão deles”, explica.

José da Costa orgulha-se também da “ligação estreita” que a Ourivesaria sempre manteve com a Universidade de Coimbra (UC) e recorda que, recentemente, foi escolhida para executar o anel de doutoramento que foi entregue ao presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que foi distinguido com o grau de Doutor Honoris Causa pela UC. “É um prazer enorme e sinto-me muito orgulhoso de trabalhar em sintonia com a Universidade, sendo o nosso trabalho reconhecido e elogiado”, sublinha.

A relação de confiança que mantém com todos os clientes é, aliás, uma imagem de marca desta casa. “Continuamos a fazer todos os possíveis para merecer a confiança dos nossos amigos, dos nossos clientes e das pessoas que acreditam que uma casa antiga tem o mesmo valor das casas super modernas”, realça José da Costa, que conta com a colaboração de Adérito Cioga, que está na Ourivesaria desde os 14 anos, já lá vão perto de três décadas. São eles os “rostos” desta casa que acaba de celebrar 81 anos e que, num gesto de agradecimento pela dedicação e fidelização dos clientes, tudo procura fazer para continuar a servi-los da melhor maneira, ajudando a tornar cada momento festivo ainda mais especial.