Exposição de pintura no Clube Médico

//Exposição de pintura no Clube Médico

Pintura vasta em estilos que se entrelaçam com desenhos em minúcia e outros num subjetivismo temático mostrando perfeitas composições quando a pintora, Rhea Roiz, empresta luz à natureza, telúricos, panteístas, de forma poética, romântica, quase a função divinatória, de uma predestinada, que cria a sua obra com talento e sem falsos gongorismos.

Os quadros expostos no primeiro andar do Clube Médico constituem nos cheios e nos vazios o simbolismo de interessantes conteúdos da natureza em festa.

São uma melodia articulada que prende a crítica ou o público!

Ao invés os quadros expostos no rés do chão ou cave têm desenvolvimentos da ideia mas falta uma posição auto-crítica no cromatismo, nas perspetivas de cores melancólicas, fechadas ou quase angustiadas que faz reagir o espetador por uma tristeza no sentido aristotélico.

A pintura desta artista é desigual e obedece a alguns pressupostos da sua leitura, que pode ser nossa, ou na angústia da criação, que em Rhea Roiz, é a sua filosofia ou a preservação do seu estilo ou da sua cultura.

No todo uma exposição invulgar onde a figura não é desperdiçada em banais gongorismos.

Afasta-se do surrealismo pela aquisição de novos valores e está no seu subconsciente criador de nos transmitir o seu requinte imaginativo para captar novas teses e outros processos nas formas de expressão peculiares no seu exemplo artístico evoluído e de um senso psicológico de intensidade criativa.

Artista um tanto insatisfeita (apanágio dos grandes artistas) não obstante um suave pendor nefelibata tem uma atitude sui generis na pintura de Coimbra, no seu campo específico, a variedade de estilos e os átomos que junta, a figura, à paisagem, os temas na emoção crescente.

Tem uma perceção natural faltando mais luz a determinados temas e uma reflexão poética nos contornos.

Olvida, e bem, o mero mecanismo de formar o quadro, pois tudo obedece à sua capacidade no manejo das técnicas e à facilidade de interpretação e à maneira lúdica de aceitar ou repudiar os conteúdos.

Inovadora e corajosa no exercício do seu metier que mostra nesta exposição a responsabilidade como estivesse no seu trabalho de médica.

Do que vimos ficámos com a certeza de estarmos na presença de uma pintora de largos horizontes e pintar não é somente o exercício de “divertissement” ou um simples jogo para regozijo do “eu”.

Artista criadora merece quando houver tempo a crítica mais a condizer.

MANUEL BONTEMPO