Literacia é arma no combate à discriminação dos doentes com SIDA

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Mais literacia na área da infeção pelo VIH/SIDA é um dos aspetos essenciais para pôr fim ao estigma e discriminação que ainda enfrentam muitos doentes, defende Telo Faria, coordenador do Núcleo de Estudos da Doença VIH da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), no âmbito do Dia Mundial de Luta contra a SIDA, que se assinalou a 1 de dezembro.

A literacia nesta área é fundamental porque quanto mais informada estiver a população geral sobre a infeção, não só é capaz de se proteger melhor, como a literacia vai promover a inserção plena do seropositivo em todas as áreas: social, profissional, familiar”, realça.

De acordo com o especialista, Portugal encontra-se no bom caminho para atingir as metas 90-90-90 da ONU/SIDA para 2020, que ambicionam que 90 por cento das pessoas infetadas tenham diagnóstico, que 90 por cento recebam tratamento antirretroviral e que 90 por cento destas, tenham uma carga viral indetetável. Os dados nacionais revelam que 90 por cento têm diagnóstico, 89.3 por cento estão em tratamento e 80 por cento têm carga viral indetetável. “Mas há sempre uma percentagem de doentes que não estão a ser seguidos. É que, embora tenham havido melhorias significativas a nível do seguimento nas consultas e na terapêutica, a componente de estigma e discriminação mantém-se e, a consequente instabilidade emocional que originam, é um dos fatores, juntamente com os de origem social, que favorecem o abandono das consultas e dos tratamentos”, sublinha, acrescentando que é aqui também que a literacia em saúde tem um papel importante a desempenhar.

Mais de 30 anos depois do início da batalha contra o VIH/SIDA, muito mudou. Telo Faria fala na existência de uma “medicação muito potente, eficaz, com muito poucos efeitos secundários, que permite que a pessoa tenha uma boa qualidade de vida em todos os aspetos”. Cenário que traz consigo novos desafios. “É bem provável que tenhamos relativizado a infeção, que tenha havido, em alguns grupos, um suavizar dos comportamentos seguros. E para dar resposta a esta nova realidade é preciso continuar com as campanhas direcionadas para grupos específicos da população”, recomenda.

De resto, a prevenção é um papel que cabe também à Medicina Interna, assim como o diagnóstico, tratamento e seguimento dos doentes. Mais ainda, tendo em conta que esta é uma especialidade privilegiada, sobretudo porque tem uma perspetiva multiorgânica e holística face ao doente. “Esta visão global é muito importante, porque não se trata apenas de controlar a infeção ou dar resposta a eventuais efeitos da medicação, mas é tudo o resto que vai surgindo, já que estes doentes têm uma sobrevida praticamente idêntica à da população em geral”, esclarece.