NOTA DE RODAPÉ

//NOTA DE RODAPÉ

TUDO SE APRENDE, MENOS A MORTE

1) Ao cair da folha a curva da morte eleva-se – assim o apontam as estatísticas – não escolhendo pelas idades, géneros ou estatutos sociais, constituindo a maior certeza com que nos confrontamos diariamente. Em sua presença todos somos iguais e a sua ação é inclemente e omnipresente.

2) Neste novembro que agora findou foi, particularmente, violenta com figuras públicas, que marcaram gerações em diferentes áreas. Num ápice levou do nosso mundo físico e virtual: João Ricardo (ator e encenador), Pedro Rolo Duarte (jornalista), Belmiro de Azevedo (empresário e industrial) e Zé Pedro (músico português, guitarrista e fundador da banda de rock Xutos & Pontapés).

3) Apesar das diferenças de idade e de atividades profissionais existe um fio que une estas mortes. A da doença oncológica, cada vez mais a antecâmara da morte, num pacto de aliança firmado na imensidão do silêncio, no sobressalto da incompreensão e na ação cobarde mas letal.

      1. Resta-nos pois a resignação perante o fim, relembrando a lição de Vergilio Ferreira quando escreveu: «Tudo se pode aprender, excepto a morte. Porque só se aprende o que já está em nós. E a morte não está».

JOÃO PINHO