“Regresso ao passado” proporcionou dois dias de grande festa no Botão

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Centenas de pessoas visitaram, no fim de semana passado, a Feira à Moda Antiga do Botão. As ruas e largos da vila encheram-se de gente, música, movimento e cor, numa mistura onde sobressaia o convívio e a alegria de quem já não quer perder esta “viagem no tempo”.

Apesar de ter uma história ainda recente, três edições apenas, a Feira à Moda Antiga veio mesmo para ficar, como assegurou o presidente da União de Freguesias (UF) de Souselas e Botão, Rui Soares, entusiasmado com a adesão da população e também com a presença dos muitos visitantes que aproveitaram a noite de sábado e o soalheirento domingo para visitar esta localidade e desfrutar da vasta oferta e do ambiente festivo.

Desta vez, as bancas dos artesãos e das coletividades da freguesia, num total de cerca de 30 participantes, espalharam-se pelo largo da junta, ficando o recinto da igreja mais direcionado para as recriações históricas, servindo de palco à contestação aos deveres impostos pela Carta de Foral Manuelino ao Botão, entregue há 501 anos. O rei regressou à vila no passado domingo mas foi recebido com protestos, numa recriação teatral que envolveu atores locais e que fez soar muitas gargalhadas na assistência.

A par com esta encenação teatral, destaque para a animação musical com gaiteiros, que animaram todo o recinto, bem como para os vários momentos teatrais durante toda a feira. Os muitos artesãos presentes, com produtos criativos e originais, apelavam já para o Natal que se aproxima, enquanto que nas “tabernas” as pessoas faziam fila para saborear as muitas iguarias propostas. Não faltaram ainda os doces sabores para levar para casa, como as compotas, marmelada, licores e a doçaria típica, mas também outros produtos da época, como as nabiças, abóboras e frutos secos.

Com o cair da tarde, chegava o frio e, enquanto o cartunista Belisário Borges (autor do Chico Melenas que O Despertar publica todas as semanas) não tinha “mãos a medir” para satisfazer todos os pedidos, ao lado fazia-se fila para ver quem bebia primeiro o famoso café de chocolateira, que “assentava” na grande panela de ferro preta, depois de ter fervido na fogueira que aquecia o recinto e que servia também para torrar o pão, bem ao jeito de antigamente.

Por todo o recinto, misturavam-se os aromas e sabores e, provando a grande adesão, os “taberneiros” chegavam ao fim da festa com os stocks vazios. Rui Soares congratulou-se com o sucesso de mais “uma grande feira” e com o ambiente de festa que envolveu toda a população durante estes dois dias. A viagem no tempo terminou com fogo de artifício mas promete regressar já no próximo ano, para celebrar os 502 da entrega do Foral Manuelino à vila do Botão.