O magistério das ideias

//O magistério das ideias

Existe um punhado de ideias incapazes de boas intenções em que o homem é joguete, vencido, descrente pelo mosto religioso e político que o torna confuso a contragosto e passa a uma mera peça equivalente à moral da história do poder capitalista que, por definição implícita não passa de tipo marginal na grande engrenagem das forças do poder deslocando a sua raiz humanista para um nefasto subdesenvolvimento crónico que o torna alheio à militância cívica, política e moral.

A tipologia humana desta tensão que se vive num mundo desarrumado, perplexo e cheio de violência e onde o trânsito do ódio é lei que regula o sincretismo cultural, estamos em crer numa tentativa de encontrar uma nova possibilidade recreadora fluente, mesmo generosa, onde credos, religiões, sistemas éticos, formas diversas de estar, se entendam e onde o homem seja reconhecido na sua autêntica dimensão democraticamente, crente ou ateísta, sem as perseguições fanáticas de grupos absolutistas, ou seja, com ou sem metafísica.

Tudo se resume ao homem como criação superior da humanidade e o racionalismo e o relativismo que deixou de ser mera ilustração do poder político, de capitalismos selvagens, ou de fanatismos mórbidos, seja de facto, a energia de um sonho do mundo onde todos tenham lugar a condizer com o seu estatuto lado a lado na estrada da vida.

Mas o homem nunca se deve separar das suas raízes transcendentais, sejam elas o que forem, para não ficar à deriva das suas paixões inconsequentes.

A guerra, o mal estar não pode ser um estado normal do homem e não deve perder a fé no direito, no bem, na igualdade, que não são simples peças históricas do mundo como aponta Hegel na sua septicemia filosófica, da história, também este idealista e filósofo alemão, alimentava a força no lugar da razão ou o estado para os mais fortes.

Reconhecia, como muitos políticos atuais, a subordinação do homem à prática de interesses a maiorias parlamentares, carga de impostos ou exagerados arcaísmos e neologismos de pendor burguês na sua vertigem do poder absoluto e despersonalizante que deve provocar a reação da cultura cívica de todos que anseiam pelo equilíbrio e a justiça social.

Mesmo na literatura, há em vários géneros um enciclopedismo ou um iluminismo artística de inconsequência humana que empalidece a cultura viva como certos livros lançados com pompa e circunstância onde as emoções são híbridas de propensão narcisista onde não existe uma ideia geral do porvir mais firme mas há uma obcecante imaginação e comportamento recalcado.

A decadência da cultura é também da responsabilidade política, da educação e da falta da restauração das letras.

Comum a toda a Europa no enfraquecimento da sua nata vocação moral e intelectual.

Predomina o conflito nas relações internacionais as divergências e discussão numa Europa que se deseja unida e que os países do sul não sejam um mero satélite.

É chegado o momento de todos os países renovarem este continente com as suas próprias ideias como contributo poderoso e o termo Universo Europeu seja de toas as nações.

MANUEL BONTEMPO