Muito obrigada, Sr. Engenheiro!

//Muito obrigada, Sr. Engenheiro!

Em 1987, ano em que entrei na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, a SONAE era já uma grande empresa.

Numa das primeiras aulas práticas da cadeira de Introdução à Economia analisámos, detalhadamente, uma entrevista que o Eng.º Belmiro de Azevedo tinha dado recentemente ao jornal Expresso. Já naquela altura apenas dava uma entrevista por ano mas esta merecia ser estudada ao detalhe porque o que dizia influenciava muitas decisões (económicas e políticas). O jovem professor da Faculdade de Economia deu uma aula muito diferente de muitas outras que eu nunca mais esqueci. (E que muito recentemente tive a oportunidade de lhe agradecer). Naquele dia aprendi uma grande lição e tomei uma importante decisão. A lição: “para se ser um bom gestor é preciso boa formação, boa informação e bom senso”. A decisão: quando terminar o curso quero ir trabalhar para a SONAE. Nunca mais esqueci a lição (já lá vão 30 aninhos!) e sou muito feliz (e realizada) por ter cumprido a decisão.

A boa formação era importante nos finais dos anos 80 e mantém-se importante hoje. O que estudamos? Onde estudamos? Como estudamos? Quando estudamos? Com quem estudamos? Como integramos o que estudamos? Como partilhamos o que estudamos? Com quem partilhamos o que estudamos?…?

A boa informação: hoje um importante desafio para os gestores é identificar qual a informação relevante para a tomada de decisões. Vivemos tempos em que temos demasiada informação, que nos chega a cada segundo, de todos os lados e que nos pode “bloquear”.

E o bom senso… como saber o que é? Uns anos mais tarde, os meus colegas espanhóis deram-me uma preciosa ajuda: o sentido comum (a que nós normalmente chamamos bom senso) é o menos comum dos sentidos. A passagem dos anos (e a broa de Podentes) têm-me ajudado a aprender a gerir com bom senso.

Foi na SONAE, liderada pelo Eng.º Belmiro de Azevedo, que aprendi a ser profissional. Aquela empresa foi para mim uma importante escola de humildade, rigor e excelência. Trabalhei ali com muitas pessoas com origem, formação e idade muito diferentes das minhas e ali ganhei amigos para a vida. Na SONAE aprendi a respeitar ao centavo o dinheiro que não era meu. Nunca esquecerei o processo de recrutamento por que passei para integrar a empresa, com cinco fases, todas no Porto. Nunca esquecerei a alegria de assinar o primeiro contrato de trabalho.

A experiência de trabalho na SONAE, empresa-escola de tantos profissionais da indústria do retalho da minha geração, enriqueceu-me como pessoa e como profissional abriu-me mais cinco portas de grandes empresas multinacionais.

O Eng.º Belmiro de Azevedo é mais um exemplo de um genial gestor que teve o desporto como escola. (Foi jogador de andebol tendo representado a equipa do Futebol Clube do Porto e era muito apaixonado por futebol). Perder não era para si uma tragédia. “Isto tem muito que ver com a minha formação desportiva: ganhar, perder, receber e dar caneladas”, dizia. Fazer, para o Eng.º Belmiro de Azevedo, era uma forma de viver.

O Eng.º Belmiro de Azevedo foi um dos engenheiros com quem mais aprendi… muito obrigada, Sr. Engenheiro!

CLARA LUXO CORREIA