NOTA DE RODAPÉ

//NOTA DE RODAPÉ

Futebol “emailado”

«Caso dos emails: Vida íntima de dirigentes do futebol e arbitragem exposta»

[Correio da Manhã. 16.12.2017]

1. Todos reconhecemos o poder do futebol, do social ao negocial. Movimenta milhões de euros, arrasta multidões, desperta paixões e ódios. A força deste desporto, mede-se, por norma numa pequena singularidade: mudamos de emprego, de cidade, de carro, de companheira, quase de tudo… menos do clube de que gostamos e ao qual nos sentimos ligados quase de forma embrionária. A isto se vem designando como funcionamento tribal.

2. Cresci a ver o Futebol Clube do Porto a conquistar o seu espaço no panorama nacional, a triunfar cá dentro e lá fora. Apesar das conquistas, sussurravam os seus opositores que ganhava porque controlava as arbitragens e os poderes que gravitavam em seu torno. Até que um dia rebentou o escândalo do Apito Dourado, anátema que passou a acompanhar a sua evolução, e a dar crédito aos seus principais adversários: SL. Benfica e SC Portugal.

3. Chegou a vez dos meus filhos crescerem, assistindo às vitórias do Sport Lisboa e Benfica. Nos últimos quatro anos, a onda vermelha parecia ter submerso o todo nacional, estendendo o seu manto de forma implacável. Mas, apesar das conquistas, os seus adversários sussurravam que as vitórias resultavam mais do controlo do setor da arbitragem e poderes conexos, do que consequência direta da qualidade do seu plantel e staf técnico.

4. Foi neste quadro que rebentou o conhecido escândalo dos emails, denunciado pelo Porto Canal. A comprovar-se a sua veracidade (cada vez mais provável) estaremos perante um escândalo de dimensões nunca vistas no futebol nacional. Que convém esclarecer, na justiça desportiva e comum, doa a quem doer, à semelhança do já defunto caso do Apito Dourado.

      1. Aconteça o que acontecer uma coisa é certa. O futebol português continua a trilhar caminhos pantanosos, nada condignos com o espírito desportivo que se deseja acompanhe a prática da modalidade. Não é possível aguentar muito mais tempo este “emailado” em que temos vivido, onde o futebol tem ardido numa fogueira de interesses, suspeitas e pressões. Que arda o que tem de arder para renascer em torno de valores fundamentais, tais como: ética, respeito, isenção e verdade. Será pedir muito?

JOÃO PINHO