Pintores que expuseram em Coimbra

//Pintores que expuseram em Coimbra

Poucos artistas observam a Natureza com tanta agudeza como Isabel Zamith, na gradação sistemática do corpo ou do tema que pinta, num dualismo soberbo entre o traço e o cromatismo. De encantar!

Esta pintura, a de Isabel Zamith, é uma rica interpretação de amor. Só se pinta assim com amor no cuidado de estudar a paisagem larga, os pormenores num permanente conflito estético.

A sua pintura é vida. É coisa móvel. Mexe com a gente.

Foi assim espetacularmente na Galeria do Chiado.

Respiramos beleza e fez-nos lembrar poesia, alegria, sentimento, tal a sedução de bem-aventurança que nos transmite as telas vistas desta consagrada pintora!

Ver os trabalhos artísticos desta pintora é estar com a vida. A sua pintura transcende o Feio, o Mal, a Morte.

É beleza transfigurada como a pintora fosse poeta (e não é poeta quando se pinta assim?) na pureza da cor, numa quase mediação feminina do cromatismo, mas rico, como tanto gostava o filósofo Oto Weininger, na soma de novas técnicas, que a pintora sublima, numa atração fora do comum pela beleza do país dando-nos os seus encantos, de Norte a Sul.

Esta artista é das grandes figuras a nível nacional e com um sólido estatuto na Europa, nomeadamente em França, elogiada em revistas especializadas.

Embeleza Portugal e não tem o zelo amargo dos frustrados e todos os dias pinta e de cavalete às costas faz as suas andanças por vales e montes, regularmente, e em cada pincelada descobre o país escondido.

A sua estadia em Coimbra foi um regalo na sua curiosa funcionalidade que ganha “interioridade” como concebe o quadro na razão matemática do espaço e na função específica e na surpreendente subjetividade ultra-romântica a modos do saudoso Pedro Olaio (Filho), ou na mestria de J. Eliseu (Filho) ou na beleza formal dos pintores do século XX, nos anos 80 e 90, de Hébil, Vítor Matias, Helena Toscano, Vítor Ramos, Valdemar Peixoto, ou ainda dos consagrados J. Berardo, Pinho Dinis, Vasco Berardo, Mário Silva, Cunha Rocha, de matizes diferentes, mas onde fica em relevo o telúrico e o panteísmo, o húmus da terra, o urbano e o rural, em cada pincelada surge a libertação da criação.

Pelo que observámos na Galeria Chiado, em Coimbra, esta artista remoça a pintura, renasce, nunca está feita, empresta ao quadro ideias e na figura lembra a espaços Alda Belo, embora Isabel Zamith use os seus sistemas independentes de pintar, de fazer obra de arte na estética invulgar na forma e no conteúdo!

MANUEL BONTEMPO