NOTA DE RODAPÉ

//NOTA DE RODAPÉ

O FOGO QUE ARDE NO RIO

«A natureza pode suprir todas as necessidades do homem, menos a sua ganância»

Mahatma Gandhi

Mais uma semana triste para o mundo natural. Desta vez para os recursos hídricos, em concreto para Rio Tejo, vítima de um crime ambiental de proporções dantescas, no troço que corre junto de Abrantes. Água poluída e transformada num mar de espuma, fazendo perigar a qualidade do consumo humano, destruindo ecossistemas e semeando a morte entre a fauna ictiológica.

O ser humano é um animal de hábitos. Bons e maus. Habituámo-nos a conviver com a criminalidade recorrente sem questionar a impunidade da mesma. Veja-se o exemplo dos incêndios florestais: deixámos que o fenómeno se instalasse e fizesse parte das nossas vidas no tempo de veraneio. Até que, em 2017, atingiu-se uma escala nunca vista, fazendo de 2018 o ano zero isto é; de preparação de medidas nacionais a implementar, consequência direta da dimensão de prejuízos materiais e vidas humanas ceifadas.

Situação semelhante se tem passado com as descargas poluentes nas nossas linhas de água. Um crime impune sancionado pela brandura das autoridades, que têm preferido confiar na capacidade de regeneração da natureza em detrimento da erradicação do mal pela raiz. Quantas descargas poluentes serão necessárias para pôr fim a esse fogo que arde pelos nossos rios e ribeiras e que tem o nome de poluição? Que destrói recursos, tem impactos no turismo e limita atividades económicas e sociais?

É preciso que morram seres humanos à escala de Pedrógão?

JOÃO PINHO