Pinturas de Coimbra

//Pinturas de Coimbra

No século XX as artes plásticas viveram momentos de raro fulgor com artistas de mérito internacional – no ano de 2017 passaram para a outra margem sete mestres – e nas mulheres sobressai Helena Toscano com as suas célebres cabeças de figuras públicas numa espécie laboratorial. Foi uma assessora de colegas ou uma necessidade de acompanhar de perto as expressões formais e criticou os devaneios da arte abstrata e anti-humana, de riscos e borrões.

Quer dizer: Toscano além de artista notável teve um papel pedagógico ao condenar, em conversas, a fadiga da criação de pintores que começavam a dar os primeiros passos nesta ceara da pintura, com os seus códigos, os tecnicismos, sempre vigente e afirmava em jantares coletivos de artistas que o pintor além de ser um visionário formal ou mesmo em criador de realidades típicas e, com a sua obra, um pedagogo.

Helena Toscano além de pintora de talento no auge dos mestres de Coimbra foi uma teórica dos segredos da arte e condenava sem receios a arte anti-técnica partindo do sociológico e do social.

Houve quem afirmasse ser a pintora Toscano mais pedagoga ou filósofa do que artista.

Pontos de vista!

Nomes como Vasco Berardo, José Contente, Vítor Ramos, J. Berardo, Tesha, Mário Silva, Cunha Rocha, Maria Lourdes Venâncio, Pedro Olaio (Filho), Vítor Matias, Zé Penicheiro e os teóricos da arte regularmente assistiam às suas tertúlias no Salão de sua casa, onde surgiam médicos, advogados e outros, todos interessados pela história da arte e pela história literária.

Tempos diferentes!

Helena Toscano foi – e é – uma substância com o poder mítico mágico que encaminhou boas vocações e decantou as antinomias dos fracassos.

Hoje, por desfastio, vai pintando o “seu quadro” que voa para os colecionadores…

Doente. O ato volitivo obriga-a a purificar a atmosfera da arte, pintura, no sentido predominantemente moral.

Diz esta artista, de Coimbra, “a inércia significa morte. Mexo-me e estou em contacto com velhas relíquias dos tempos dourados”.

Mas reconhece hoje haver bons artistas: Lúcia Maia (sábia), Alda Belo (eclética e escritora), Dora Gonçalves Sequeira (realista), Márcia Andrade (impressionista) numa missão nobre de dar mais beleza a este mundo onde nos movemos.

MANUEL BONTEMPO