Bienal Anozero 2019 estreita ligação entre Coimbra e o rio

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A Terceira Margem do Rio” é o tema da terceira Anozero – Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra, que vai decorrer em Coimbra em 2019 e que terá como curador Agnaldo Farias. O crítico de arte brasileiro aceitou o convite do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC) e considera que o seu desafio passa por “expor as pessoas à arte”, num programa que valoriza a “relação do rio com a cidade”.

Durante a apresentação do tema e do curador, que decorreu anteontem, na Casa Municipal da Cultura, Agnaldo Farias manifestou o seu desejo de espalhar a bienal pela cidade, chegando mesmo a “alguns espaços até imprevistos” – como possivelmente o próprio rio e alguma das pontes que o atravessam -, mas mantendo como palco principal o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova.

O curador encara a bienal como um “espaço de difusão mas também de fomento”, sendo, portanto, sua intenção “convidar alguns artistas” e “subir um pouco o número de participantes”, que na última edição ficou nos 35, o que dependerá também das questões orçamentais.

Sobre o tema escolhido, considera que “há algo de poético numa cidade cortada por um rio, por exemplo, o Mondego fluindo imperturbável entre as margens a partir das quais se esparra Coimbra”. Para Agnaldo Farias, o rio é “a imagem da continuidade” e apesar de ter apenas duas margens “esconde” uma terceira, que “vive em suspensão”. Neste caso, a arte contemporânea será a “terceira margem, da nossa sensibilidade e, em consequência, da nossa expressão”.

Sem falar ainda de artistas, adianta que pretende, na bienal de 2019, “dar a ver algumas das obras vetores responsáveis pela expansão do ser”, obras que “contribuem para a continuidade da nossa espécie, dos sonhos que a fazem fluir”. Lado a lado com a arte, andarão também o cinema e a música e outros componentes que possam ser enriquecedores.

A vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Coimbra, Carina Gomes, considera que o tema “encaixa muito bem”, apresentando “outro ponto de vista para refletir sobre a cidade”. Depois do êxito da última edição, realça o “comprometimento e empenhamento, desde a primeira hora,” da autarquia na realização deste evento que se tem vindo a “afirmar a nível nacional e internacional”.

A Terceira Margem do Rio” é um tema que agrada também a Clara Almeida Santos. A vice reitora da Universidade de Coimbra considera que “é um belíssimo tema, que integra e aproveita uma série de felizes ideias e sinergias”, sendo mais um convite para refletir sobre o rio e a sua relação com a cidade.

A bienal Anozero é uma organização do CAPC, Câmara Municipal de Coimbra e Universidade de Coimbra.

Agnaldo Farias é professor na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, crítico de arte e curador. Atualmente é curador geral do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. De referir ainda que, em 2010, foi o curador geral da 29.ª Bienal de São Paulo.