REFLEXÕES SOBRE POLÍTICA, AEROPORTO DE MONTE REAL E LINHA FERROVIÁRIA DA LOUSÃ

//REFLEXÕES SOBRE POLÍTICA, AEROPORTO DE MONTE REAL E LINHA FERROVIÁRIA DA LOUSÃ

Tenho muito respeito no panorama político português pelo Partido Comunista. Curvo-me perante a memória de heróis portugueses que em nome deste partido e do povo português perderam a vida ou, mais simplesmente, prejudicaram as suas vidas. O PCP não surge ligado a situações mal explicadas, defende a cultura, a eficácia, o progresso, preserva patriotismo. Já passou, felizmente, o tempo em que alguma grosseria punha na rota dos comunistas ações feias. Talvez por inveja ou impreparação, mas sempre por baixeza. Ainda recentemente se verificou que o PCP perdeu quase abnegadamente votos nos municípios porque, admito, “ajudou a cimentar” uma onda socialista vencedora em diversas frentes. Essa onda tem sido proveitosa para Portugal baseada na tal GERINGONÇA apoiada por PCP e BE e que tem obtido resultados quase impensáveis. Ainda vivemos com muitas dificuldades, mas Portugal está a sair da CRISE, o povo ainda se lastima, mas antevê dias menos difíceis. Os jovens e os empresários apostam. Há destemor. Subiu o ordenado mínimo apesar de continuarmos com fortes assimetrias nos salários em Portugal como se as barrigas fossem diferentes e os preços diferentes para ricos e pobres nos mercados e nos supermercados. Catarina Eufémia pode ter quase caído no esquecimento, os Cravos de Abril podem ter murchado, Zeca Afonso é menos lembrado e cantado. Contudo, o Partido Comunista de que vos falava, ou antes, escrevia, é fiel à sua matriz, caminha dentro de uma ética republicana que se admira, e não entra, aparentemente, em jogos artificiais de poder. É SIM OU SOPAS. Está referencialmente ao SERVIÇO DO POVO e dos superiores interesses da Pátria. Escrevo este preâmbulo para aplaudir uma saudação do PCP da vizinha Figueira da Foz a um projeto de resolução do PSD (parabéns ao PSD pela atitude) ao pedir ao Governo a abertura ao tráfego civil do AEROPORTO ou BASE AÉREA DE MONTE REAL o que é de uma necessidade extrema para Fátima, Coimbra, Figueira, Leiria e para toda a nossa Região Centro. Nesta matéria o PS ter-se-á abstido o que é curioso porque o PS quando não era Governo apresentou esta pretensão, a não ser que a memória seja curta, mas não é pois não Doutor ANDRÉ DIAS PEREIRA?! Aliás Pedro Coimbra há meses dizia que para além da necessidade da autoestrada Coimbra-Viseu e arranjo da estação-Apeadeiro de COIMBRA-B não se pode brincar com um Aeroporto em Coimbra e este terá de ser feito se não houver Monte Real… mas iremos ter Monte Real aberto ao tráfego civil? Aponta-se nesse sentido e assim Cernache deve, pelo menos, aumentar a pista e poderá ficar por aí: um aeroporto regional. A “política” tem “coisas destas” e até, provavelmente, estamos mal documentados para opinar com 100% de rigor sobre esta matéria. Nesta linha de pensamento não consigo perceber o PARTIDO SOCIALISTA, especialmente na Federação de Coimbra, perante o clamor dos pobres utentes do Ramal da Lousã a solicitarem que seja reposto com urgência o COMBOIO DA LOUSÃ. Acredito que se esteja à espera do tal bus-espécie-de-metro, mas este parece que será bom apenas para circular dentro de Coimbra e não para substituir o COMBOIO DA LOUSÃ. E pergunta-se: não estão a ser “SUBSERVIENTES A ESTUDOS E A UM MINISTRO QUE, PROVAVELMENTE, SE TERÁ ESQUECIDO DA QUESTÃO IMPORTANTÍSSIMA DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS?” Por favor peçam ao Senhor Ministro para ouvir as populações do Ramal… que receba em Lisboa uma delegação porque elas não reclamam apenas para perturbarem ou contrariarem o Governo, mas para se fazerem ouvir e dizerem que querem o comboio e não autocarros híbridos ou dentro desse género: e ainda por cima em zonas com orografias terríveis.

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Fizeram-se estudos. Gastou-se muito dinheiro e depois veio a ser sugerido pelo Ministro Pedro Marques o Metro por Autocarro e os edis do PS disseram surpreendentemente (e talvez cansados de não-resolução e do gozo que isto tem sido) AMEN. NÃO DÁ NEM DEU PARA ENTENDER! E a importância do TRANSPORTE DE MERCADORIAS PELA FERROVIA NA LINHA DA LOUSÃ e ATÉ À FIGUEIRA POR EXEMPLO? Isto não se equaciona? Temos de tirar da estrada veículos pesados que demoram e afunilam o tráfego e urge trazer essas MERCADORIAS PARA A FERROVIA DA LOUSÃ e isso NÃO PODE SER FEITO COM BUS, com AUTOCARROS. OS ESTUDOS PENSARAM NISTO OU SÓ EM PASSAGEIROS? Bem andou o BE, também integrado na Geringonça, ao pedir a reposição do comboio o que nada demoveu (julgamos) o Senhor Ministro militante dessa espécie de metro-bus. Num dos últimos Congressos de Transportes, cá no país, foi dito por um especialista, creio que um espanhol conceituado, que para A MESMA QUANTIDADE DE TONELADAS TRANSPORTADAS O TRANSPORTE FERROVIÁRIO CONSOME QUATRO VEZES MENOS ENERGIA, meus caros. Sabiam? Só pensam em passageiros? É preciso, caros Leitores, fugir da estrada com as mercadorias. É preciso colocar na Linha da Lousã locomotivas Diesel que passem de ramais não eletrificados para os eletrificados sem problemas. Foi dito no 4.º congresso de transportes que o tram-tram era o ideal entre Coimbra e Lousã havendo – como até já foram feitos – bons parques de estacionamento para viaturas automóveis junto às estações, mas mesmo nessa ocasião não estava a ser equacionada a questão das MERCADORIAS.

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Mais: creio que uma personalidade com responsabilidade na administração do moribundo Metro Mondego avança com o desejo de liderar a federação socialista de Coimbra, personalidade que foi alvo de críticas na imprensa lousanense por não pedir (julgo) ou defender a solicitação de reposição do COMBOIO DA LOUSÃ quando lhe apresentaram o bus… a modos que um metro-autocarro para uma estrada e sem ser numa METRÓpole. Devo dizer-lhes que a pessoa em questão merece-me respeito e admiração porque embora jovem tem feito trabalho, mas por que razão não nos fala “EXPLICITAMENTE” acerca do Ramal Ferroviário da Lousã e por que razão não pede ao Governo que reponha o comboio na linha para servir passageiros e MERCADORIAS? E por que razão o PCP defendeu até no Parlamento (e muito bem em nosso ousado – e por certo não isolado ponto de vista) que voltem os comboios e as automotoras à LINHA FERROVIÁRIA DA LOUSÃ e não consegue INFLUENCIAR e ficar em sintonia com a GERINGONÇA e com os partidos que a integram neste assunto em concreto exigindo a imediata reposição de comboios na Linha da Lousã como conseguiu fazer no Alentejo? Quem me explica? POLÍTICA PARTIDÁRIA – afinal quem a entende? HÁ OS SUPERIORES INTERESSES DO POVO? Há, ou não há? O POVO É OUVIDO? O Sr. Ministro do Planeamento terá a certeza que também o TRANSPORTE DE MERCADORIAS pode seguir pelo autocarro ou haverá tipo autocaravanas-metro-bus para as mercadorias?

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E, por falar em política partidária, e para não estar com meios-termos, digo-lhes que Pedro Coimbra e Luís Antunes são dois bons jovens políticos para liderarem o PS no distrito de Coimbra: a escolha é muito difícil. Qual encarrilará melhor e voará mais alto? SERIA BOM QUE ESCLARECESSEM OS MILITANTES DO PS O QUE PENSAM SER O MELHOR PARA TRANSPORTAR PASSAGEIROS E MERCADORIAS no importantíssimo RAMAL FERROVIÁRIO DA LOUSà (antes das eleições) e se pensam ou não telefonarem ao Ministro PEDRO MARQUES para dar conta de que os utentes do ramal da Lousã que querem o comboio se calhar têm razão e não andam em manifestações para chatear o Governo, mas sim para pedirem o que é melhor para eles e para a Região e, até conseguirem, provavelmente, o reequacionamento da posição do senhor Ministro? Mudar de posição só seria uma atitude de louvar ao Senhor Ministro se no-lo permite dizer. Estou convencido que o Presidente da Associação dos Municípios Portugueses e do Município de Coimbra com a sua grande experiência e a admiração que por ele tem ANTÓNIO COSTA vai PENSAR E REPENSAR este “CASO RAMAL DA LOUSÔ e ainda o que se escreve… porque ninguém gosta de fazer perder tempo aos grandes políticos que estão ao nosso serviço e ao serviço das nossas grandes causas comuns. E evitar prováveis erros não é criticar negativa ou destrutivamente. É alertar, é fazer pensar, é colaborar, é ajudar a refletir para evitar eventuais erros irreparáveis. Alô Senhor Ministro? Allô, Allô?! Se o Ministro fosse, por exemplo, MANUEL MACHADO, teria mais esperança, mas ainda não a perdi. Nem eu, nem lousanenses, mirandenses, ceirenses e conimbricense.

SANSÃO COELHO (sansaocoelho@sapo.pt)