Imprensa Portuguesa Centenária – Parlamento apoia candidatura a Património Cultural da Humanidade

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A candidatura da Imprensa Portuguesa Centenária a Património Cultural Imaterial da Humanidade, mereceu unânime apoio expresso dos representantes dos Grupos Parlamentares que, na quarta feira, participaram numa conferência que decorreu na Assembleia da República.

Esta candidatura foi uma vez mais defendida por João Palmeiro, presidente da Associação Portuguesa de Imprensa (API), e secundada por Edite Estrela, presidente da Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto – as duas entidades promotoras da conferência parlamentar que decorreu, durante a manhã, no Auditório Almeida Santos, com a presença de dezenas de pessoas, muitas delas representantes dos 32 jornais portugueses que se publicam há mais de um século, ininterruptamente.

Edite Estrela referiu que a proposta da API mereceu já o apoio expresso do Presidente da República e que o Parlamento certamente lhe concederá também igual apoio. E, de facto, os representantes dos diversos grupos parlamentares, que depois usaram da palavra, consideraram essa proposta plenamente justificada e garantiram que ela seria apoiada pelas respetivas forças políticas. Os representantes partidários foram ainda unânimes em destacar o papel fundamental da Imprensa como esteio da democracia e seu garante, tendo felicitado os jornais centenários e elogiado a API pelo trabalho que vem desenvolvendo na defesa de um setor essencial nas sociedades contemporâneas, mas que atualmente atravessa uma crise complexa.

João Palmeiro sublinhou ser este o Ano Europeu do Património Cultural, mas também o Ano Português da Imprensa, com o nosso país a ser palco de uma Cimeira dos Media (“Media Summit”), entre os dias 30 de maio e 8 de junho próximos, que inclui dois congressos mundiais (o da WAN-IFRA, em Cascais, e o da GEN, em Lisboa). Nestes dois congressos espera-se a participação de cerca de dois mil editores e diretores de informação, incluindo os responsáveis pelos mais importantes órgãos de comunicação de todo o Mundo, o que torna Portugal no centro mediático a nível planetário, numa altura em que se buscam soluções para o futuro dos media. João Palmeiro referiu ainda ter proposto que deixe de ser utilizada, internacionalmente, a designação de “notícias falsas” (“fake news”), passando a usar-se antes a de “notícias manipuladas”, uma vez que isso reflete melhor esse fenómeno de desinformação. Sublinhou ainda que, atualmente, o mais importante é a confiança que os media merecem por parte do público, tendo citado o mais recente estudo do Reuters Institut (Universidade de Oxford), relativo a 2017, onde Portugal aparece em terceiro lugar (a seguir à Finlândia e ao Brasil) na lista dos países onde os jornais merecem maior confiança por parte das populações. Uma confiança, disse João Palmeiro, que vem de longe, e que permitiu que haja dezenas de jornais portugueses que se publicam há mais de um século, tendo sobrevivido às guerras, às crises, a todas as vicissitudes.

Para além das intervenções políticas, foram apresentadas comunicações com abordagens diversas sobre a imprensa centenária de Portugal.

Assim, Carlos Correia, docente da Universidade Nova de Lisboa, falou do momento de transição que hoje se vive entre o analógico e o digital, o local e o global, criando um fenómeno que designou por “glocal”. Irene Tomé, docente da mesma Universidade, aludiu às relações entre os movimentos associativos e a imprensa ao longo da História recente. O jornalista e investigador António Valdemar fez uma detalhada exposição ilustrada sobre a história da imprensa centenária portuguesa e as suas mais destacadas figuras ao longo dos tempos. O presidente da Academia das Ciências, Artur Anselmo, relatou alguns episódios curiosos sobre a colaboração de Camilo Castelo Branco num dos mais antigos jornais portugueses, o “Aurora do Lima”, de Viana do Castelo.

A conferência parlamentar terminou com uma intervenção sobre a importância dos direitos de autor, por Carlos Eugénio, diretor executivo da Visapress.

Da parte da tarde foi inaugurada, nos corredores da Assembleia da República, uma exposição documental sobre a imprensa portuguesa centenária, que ficará patente até ao próximo dia 16 de março.

Esta exposição esteve já no Parlamento Europeu, em Bruxelas, na Universidade de Aveiro e na Região Autónoma da Madeira.