APPACDM lança novo projeto para apoiar jovens e famílias

/, Coimbra/APPACDM lança novo projeto para apoiar jovens e famílias

A “Academia de Saberes”, novo projeto da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) de Coimbra, abriu portas na segunda feira, surgindo como uma resposta a jovens com deficiência ou incapacidade que, de momento, não têm qualquer ocupação diária. Esta nova valência vem responder, assim, às famílias que, na maioria dos casos, não têm com quem deixar os filhos, ao mesmo tempo que permite a estes jovens ter um olhar mais amplo sobre o mundo que os rodeia.

Este é um projeto inédito que funciona no Centro de Formação Casa Branca da APPACDM de Coimbra mas que pretende abrir-se a toda a cidade, a começar pelos espaços com os quais a instituição tem parcerias – Museu da Ciência, Jardim Botânico, Museu Nacional Machado de Castro, Exploratório, Conservatório de Música e Mosteiro de Santa Clara-a-Velha -, mas estendendo-se a muitos outros, dando a conhecer o património aos jovens e desafiando-os a conhecer e a envolver-se no mundo que os rodeia.

De acordo com Helena Albuquerque, presidente da APPACDM, a “Academia de Saberes” vem “responder a pedidos de muitos pais” e direciona-se sobretudo para “jovens com deficiência ou incapacidade que acabaram a escolaridade obrigatória ou frequentaram a formação profissional e não tiveram integração no mercado de trabalho”, sejam ou não utentes da instituição. Trata-se de “um projeto da APPACDM, que não conta com qualquer tipo de financiamento”, e que a presidente considera “uma urgência”, já que vai abrir aos jovens novas possibilidades para “continuarem a crescer e a adquirirem capacidades que ganharam e que acabariam por perder, caso ficassem isolados em casa, assegurando-lhes uma resposta que, atualmente, no panorama nacional, é praticamente inexistente”.

Para além de ser um importante apoio para os pais, vai funcionar também como mecanismo social importante, uma vez que, como realça a responsável, “os obriga a ter rotinas, a sair de casa, a conviver, a trabalhar em grupo e a interagir em sociedade”.

A “Academia de Saberes” está aberta a jovens com mais de 18 anos e, nesta fase inicial, funciona apenas durante a manhã, das 9h30 às 12h30, tendo capacidade para oito pessoas. Para já, estão inscritos seis jovens mas as inscrições estão a decorrer, através do telefone 239 722 623 ou do e-mail cfp.casa.branca@gmail.com, e, caso seja necessário, a instituição está preparada para alargar a resposta, criando outros horários.

Os jovens estão sempre acompanhados de uma monitora e têm programas diários. Margarida Rainho, coordenadora do Centro de Formação, explica que a Academia visa “criar um espaço de aprendizagem onde podem continuar a ganhar competências, ajudando-os a crescer enquanto pessoas e fazendo com que sejam cidadãos ativos”. Para tal, vão ser escolhidos vários temas que serão trabalhados por eles e estão também definidos programas que os irão levar a “explorar espaços e temáticas, através das mais variadas atividades”. Este programa visa, assim, “aumentar a qualidade de vida dos participantes e promover a sua inclusão e contribuição ativa na sociedade”.

Entre as diversas possibilidades de atividades estão os workshops (culinária, arte, costura, vida doméstica), a gestão financeira, o fórum de discussão de temáticas, o voluntariado, entre outras.

Construção de lar em Arganil é o próximo desafio

Esta é, portanto, mais uma valência que a APPACDM de Coimbra coloca à disposição da sociedade. No total, de acordo com Helena Albuquerque, a instituição “apoia 1200 utentes nos quatro concelhos onde atua – Coimbra, Montemor-o-Velho, Arganil e Cantanhede -, estando todas as valências cheias”.

A maior carência verifica-se na valência de lar residencial, onde “a situação é aflitiva”, sempre com grandes listas de espera. Nos Centros de Atividades Ocupacionais a APPACDM tem atualmente cerca de 250 utentes e nos lares cerca de 60, assegurando uma resposta integrada que, como frisa a presidente, vai desde “a infância até ao final da vida”.

Com dois lares residenciais em Coimbra e dois na Tocha, a instituição pretende avançar agora com a construção de um novo lar em Arganil, obra que está dependente das condições do financiamento. De acordo com Helena Albuquerque, trata-se de uma obra que vai custar cerca de 600 mil euros e que não se enquadra, de momento, em nenhuma linha de financiamento estatal. Considera, contudo, que é um projeto essencial para a população de Arganil que, até ao momento, não dispõe de resposta nesta área.