NOTA DE RODAPÉ

//NOTA DE RODAPÉ

SÍRIA: A GUERRA EM NOME DA PAZ

«Estes conflitos transformaram-se em matadouros de seres humanos» – [Zeit Ra’ad Al Hussein, Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos do Homem 26.02.2018]

Na Síria qualquer um pode morrer, em especial os inocentes: as crianças de hoje, os homens de amanhã. A guerra tem levado tudo, o país foi territorialmente dividido entre as forças beligerantes e, cada metro, discute-se em função de banhos de sangue pela conquista de posições.

Não se poupam casas, hospitais, escolas, lares. As tréguas assinam-se hoje e desfazem-se amanhã. Centenas de milhares de mortos é o preço de uma guerra em que a população síria não foi tida nem achada. Mas levaram-lhe tudo, a começar pela dignidade humana e a terminar em corpos desfeitos, em famílias apagadas da existência em frações de segundo.

Diz-nos a História, infelizmente, que o mundo sempre se fez de guerras, onde a componente religiosa se une a interesses económicos, pervertendo tudo e todos em nome do controlo da riqueza e do poder.

Nas guerras a que temos assistido nos últimos anos há sempre um ditador louco, uma parte da população reprimida e um presidente pronto a carregar no botão vermelho do nuclear.

A Síria está à porta da Europa e no coração do médio-oriente. Todos sabem que é urgente terminar o conflito, mas todos parecem dispostos a ir um pouco mais longe, em nome do seu prestígio, força e ambição de poder. Temos assistido a cenários de horror que as partes em confronto justificam como legítima defesa e procura da paz.

Mas que paz é esta que enche os corações de ódio, violência e morte?

JOÃO PINHO