LPCC avança com novos cuidados para os doentes oncológicos

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Os 77 anos da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) foram anteontem comemorados em Coimbra, no Convento São Francisco, numa cerimónia que evocou também os 50 anos do Núcleo Regional do Centro (NRC), que estão a ser celebrados ao longo deste ano.

Na sessão, o presidente do NRC-LPCC, Carlos Oliveira, deu a conhecer, de forma breve, a história da Liga, bem como o importante trabalho que desenvolve, no apoio aos doentes oncológicos mas também às respetivas famílias. Recuando a algumas décadas atrás, aos anos 70 e 80 do século passado, quando os conhecimentos sobre a doença eram muito poucos, falou da missão da Liga na formação e sensibilização das populações para os sintomas da doença, dando conta das milhares de sessões de esclarecimento que o Núcleo realizou, sobretudo nos primeiros 20 anos, em todas as freguesias da zona Centro. A estas ações juntaram-se, como referiu, muitos outros programas direcionados a médicos, enfermeiros e até professores, em 1986 começaram os rastreios do cancro da mama e, no mesmo ano, foi constituído o Movimento Viver e Vencer. Falar da LPCC é falar de voluntariado e, nessa área, em 1996, o NRC deu um importante passo, com o início do voluntariado hospitalar no Instituto Português de Oncologia de Coimbra, ação que se estendeu, já em 2012, também aos Hospitais da Universidade de Coimbra.

Carlos Oliveira anunciou, ainda, algumas apostas mais recentes, que passam pela criação de novas valências e serviços e anunciou também medidas a desenvolver no futuro, que passam pela literacia em cancro, pela decisão participada do doente, cuidadores e técnicos em relação à doença e por melhorar os cuidados e a própria proteção social dos doentes. Carlos Oliveira considera também como prioritário investir na oncogeriatria e cuidados continuados, tendo em conta que o cancro está a aumentar, sobretudo nos mais idosos. Defende que é necessário prestar aos doentes “cuidados continuados especializados individualizados e personalizados no domicílio”, investindo assim “na capacitação dos doentes e familiares”.

O futuro passa também pela maior aposta na investigação, como reforçou o presidente da LPCC, Vítor Veloso, que sublinhou a “vontade de fazer mais e melhor em prol dos doentes oncológicos e das suas famílias”. Alertou para o facto de o cancro ser “o principal problema de saúde pública na comunidade europeia” mas, “apesar do aumento de prevalência da doença, há cada vez mais casos de cura”. De acordo com o presidente, em Portugal há “cerca de 500 mil sobreviventes, para além dos que ainda continuam em tratamento”.

Neste momento de dupla celebração, Vítor Veloso deixou uma palavra de agradecimento à população portuguesa, “sem a qual a Liga não poderia fazer todo o trabalho que faz”.

Durante a sessão foi ainda anunciada a abertura do Prémio Nacional de Oncologia da Liga Portuguesa Contra o Cancro Artur Santos Silva, na presença do patrono que proferiu uma conferência sobre Desafios para o 3.º setor na construção de uma sociedade mais justa.