Nas Margens do Ceira

//Nas Margens do Ceira

Recentemente, José Sócrates, que foi primeiro ministro de um governo português veio, a convite da Universidade de Coimbra, dar uma aula/palestra na Faculdade de Economia.

O caso foi largamente divulgado e os comentários sucederam-se nos mais diferenciados meios de comunicação. Como é sobejamente sabido o palestrante é arguido por diferentes crimes em processo judicial que se arrasta há anos.

Acusações gravíssimas mas que, até haver sentença que eventualmente o venha a condenar, o fazem considerar um vulgar cidadão no uso das suas liberdades.

Foi, por certo, este critério que esteve na base do convite feito. Só esperava tê-lo visto dissertar sobre a área de engenharia atendendo à licenciatura que obteve à mesa dum café e não sobre assuntos de natureza económica.

Mas fazendo fé naquilo que desde há muito tem vindo ao conhecimento público esta, a economia, é aquela que domina com inegável talento.

A Universidade de Coimbra tem, neste aspeto, e à semelhança do que agora aconteceu um largo campo de recrutamento para novas aulas/palestras já que os processos análogos àquele em que o ex-primeiro ministro é acusado é idêntico a outros parecidos que correm seus termos em variados tribunais.

E que este número de processos aumente dia a dia não nos surpreende. A ganância, a corrupção, a ânsia de obter aquilo que não lhes pertence tornou-se um lugar comum a todos os níveis.

Desde os governantes aos banqueiros, dos empresários às autoridades policiais, dos administradores de empresas aos trabalhadores, em todas estas classes há prevaricadores que todos conhecemos.

E mais ainda até entre famílias existem casos de desejo incontido da apropriação indevida daquilo que a outros pertence.

É a paisagem real que se instalou num país que deseja progredir mas que, à sombra duma democracia ilusória, faz encher os bolsos de gente sem escrúpulos de qualquer natureza.

Que bom que seria se os tribunais, onde a corrupção também já se instalou, pudessem agir com a brevidade que toda a gente honesta deseja.

Que bom que seria que as leis não dessem azo a que recursos sucessivos demorassem por tempo indefinido o cumprimento das penas tão indefinidas que conduzem tantas vezes à sua prescrição.

Que bom que era…

JOÃO BAPTISTA