TERTULIAR

//TERTULIAR

Fruto da primeira Tertúlia – sim! a escolha de “fruto” para iniciar este nosso encontro não é de todo casual, como vamos ler: “Coimbra”, “Basófias”, “Tricanas”, “Canção”, “Lampreia”, “Romanos”, “Ponte(s)”, “Sal”, “Enguias”, “Arroz”, “Estrela”, “Amores” e “Laranjas”, foram estas entre outras palavrinhas as que nos chegaram associadas a Mondego e serviram de natural inspiração e mote para a nossa Tertúlia: um rio a inspirar “sensações gustativas inesquecíveis”. Sim! permitimo-nos adotar três palavrinhas com que José Saramago cria uma das expressões mais gustativas da nossa língua.

Descemos e subimos o rio, pela margem esquerda e pela margem direita, da Estrela ao Atlântico, mas também deixando-nos levar onde os braços do Mondego nos convidam a chegar; e lembramos que o rio é agora o centro da cidade de Coimbra (já foi fronteira, alguém lembra, e fica no ar a vontade de voltar a este tema numa próxima semana).

Associada ao nosso Mondego é partilhada uma história curiosa, não tão singular como talvez gostássemos!: a pesca à laranja; praticada nas águas do Mondego, era uma brincadeira permitida pelas cheias que inundavam os laranjais e que faziam com que as laranjas que iam caindo “nadassem” descontraidamente ao encontro de mãos preparadas para as salvar e… trocá-las por algumas moedas ou saborear nelas o néctar de deuses.

De imediato surgiu a referência à presença incontornável da laranja no nosso receituário: da água de flôr de laranjeira às rodelas de laranja ou mesmo ao sumo, saboreamo-la tanto em pratos doces como salgados.

Lembrámos que há receitas que têm vindo a ser recuperadas e adaptadas ao paladar do séc. XXI – ou será o contrário? Será que são as nossas sensações gustativas que estão a ser readaptadas a estes sabores que têm vindo a ser recuperados e a conquistar cada vez mais adeptos? E falamos da forte atratividade da gastronomia e de como contribui para a sustentabilidade dos territórios (tanto na sua dimensão social como económica), constituindo igualmente um ativo Turístico e Cultural diferenciador (um tema a que regressaremos).

Será que a eleição das 7 Maravilhas à Mesa® está a orientar esta nossa Tertúlia? É que a seguir às laranjas falamos de queijo, de broa e de pão, de lampreia e de enguias, de nevadas e queijadas, de arroz doce e leite-creme, de bucho e de cabrito, de leitão e de chanfana, mas também de lampantana, de cozido, de canja, de… 1001 sabores que nos levam a sorrir perante a ideia partilhada – já com novo desafio para “O Despertar”, queridos leitores? – de iniciarmos em breve um conjunto de rotas de sabores do Mondego. Conhecer, visitar, aprender, partilhar, experienciar, dar a conhecer… é valorizar.

Sim! podem ir preparando a escrita, o desafio de hoje é mesmo partilharem connosco um prato, um sabor, que vos traga memórias “gustativas inesquecíveis”, associadas a um território específico, e deste modo vamos construindo a carta cultural, turística e gastronómica do nosso Mondego e começar a estruturar as nossas Rotas.

Relembramos que este é um desafio nosso, mas também vosso!: dar a conhecer e partilhar o património (saberes e vivências) que cada um de nós representa, tertuliando sobre Coimbra e a Região Centro, sobre o Litoral e o Interior, de uma forma positiva e valorizando o que nos torna verdadeiramente únicos.

Tertuliemos.

ALICE LUXO (alice.luxo@gmail.com)