Fadiga visual é um dos riscos laborais mais frequentes do século

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A fadiga visual, mais conhecida por vista cansada, é atualmente um problema que afeta sete em cada 10 portugueses, devido à crescente utilização de dispositivos digitais, constituindo um dos riscos laborais mais frequentes do nosso século.

A Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) acaba de lançar um alerta para esta problemática, no âmbito do Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho (que se assinalou a 28 de abril), e explicou quais as principais formas de prevenção.

A fadiga visual resulta de um esforço excessivo do globo ocular exigido pelos ecrãs que utilizamos muito perto dos nossos olhos. Este esforço, que ocorre maioritariamente em pessoas que trabalham muitas horas em frente ecrãs digitais (computadores, tablets, telemóveis ou televisores), manifesta-se em pequenos sintomas tais como: secura ocular, dor de cabeça, cansaço, dificuldade em focar ou lacrimejar excessivo”, explica Fernando Vaz, membro da SPO e Coordenador do Grupo de Ergoftalmologia.

Existem, contudo, como realça o especialista, “algumas medidas de prevenção, recomendadas pela SPO, que todos os profissionais que trabalham em escritório devem considerar, tanto a nível comportamental como de ambiente”. Assim, a nível comportamental, considera que é essencial adotar uma boa postura, ajustando a cadeira e a mesa de forma a ter o monitor ao nível dos olhos e a uma distância de 50-70 centímetos; e fazer intervalos regulares ‘20-20-20’, ou seja em cada 20 minutos fazer uma pausa de 20 segundos e nesses 20 segundos olhar para uma distância de 20 pés (6 metros). A nível do ambiente, aconselha a evitar ambientes de muita ou pouca luminosidade, evitar reflexos indesejados no computador, provenientes de poeiras ou impressões digitais, optar por um ecrã de maiores dimensões e, sempre que possível, desligar o ar condicionado.

Além dos profissionais que trabalham maioritariamente com computadores, crianças e jovens começam, cada vez mais, a sentir, de uma forma precoce, fadiga ocular pois também eles passam muito tempo em frente a dispositivos digitais. De acordo com os dados divulgados, mais de 50 por cento dos jovens entre os 18 e os 34 anos passam nove horas ou mais por dia com dispositivos digitais. As mulheres também sofrem mais de que os homens de fadiga ocular pois com o avançar da idade existe maior propensão uma diminuição na quantidade e qualidade das lágrimas.

Para atenuar esta epidemia, Fernando Vaz conclui que é fundamental “a realização de consultas de rotina para avaliar a fadiga ocular e analisar se não existe outra patologia associada como erros refrativos, perturbações do equilíbrio oculomotor, olho seco, etc…”. Alerta, ainda que, são nestes casos que podem ser “recomendadas soluções (por exemplo óculos, tratamentos de ortóptica, lágrimas artificiais, dicas de ergoftalmologia), que irão diminuir a fadiga ocular e aumentar a qualidade de vida laboral, evitando problemas futuros”.