Coimbra é um sortilégio

//Coimbra é um sortilégio

A cidade carrega consigo uma profunda substância de ser terra de conhecimento e, por outro lado, teve em certos períodos de formar uma opinião pública nos órgãos de imprensa na sua defesa ou, se quisermos, uma força associativa contra a cupidez humana nas afrontas, por inveja, por despeito, por perfídia.

Houve sempre umas intrigas de outras cidades, pequenas no valor intrínseco, na nossa beleza paisagística, de ser o centro Norte-Sul e de possuir a primeira universidade do país e das mais conceituadas do Mundo!

De possuir uma academia ímpar com grosseiras imitações por este país fora numa grosseira caricatura….

O habitante possui uma espécie de alquimia de sentimentos e ideias que leva um acento existencial de bem-fazer como, atualmente, dar vida comercial à Baixa de Coimbra, com eventos de todos os matizes que, só por si, o conimbricense é portador de um são bairrismo, racional, pensante, não atropelando as outras cidades.

O Café Santa Cruz tornou-se por direito próprio a denúncia de Coimbra no mundo que atinge sentimentos de progresso, alvitres para o que deve ser feito com intervenções sentenciosas.

A gente de Coimbra está desperta e retoma a luta dos anos 50 e 60 e onde se distinguem o jornalista Amâncio Frias nestas páginas e nas páginas de O Primeiro de Janeiro.

Um jornalismo de observação, de proximidade com a veia racionalista de fotografia, porquanto se sob o ponto de vista estilístico for brilhante e fotógrafo sublime para os seus textos.

Escreveu muitos Apontamentos à mesa do vetusto Café Santa Cruz, catedral de escritores e artistas naquele tempo e ainda hoje com essa mística.

Há por outro lado em certos repórteres a tendência conservadora, cheios de prosápia, de frágil cultura que escrevem uma embrulhada de ideias com denotações de vaidade com filosofias terrivelmente abstratos onde surge a metafísica, os alvitres ontológicos, a moral alicerçada numa bondade duvidosa que leva o leitor a um trabalho insano para compreender aquelas bizarrias.

É uma traição escrever trechos sem fim mais dignos de uma revista mística!

Quanto ao Despertar que sempre se interessou pela cultura esquematiza-a com vantagem para os leitores explicando com a representação de obras conhecidas e não de obras filósofas ou religiosas de segundo plano ou de nenhum plano.

Há aqui, penso eu, um perspetivismo histórico de se falar em nomes que há muito morreram ou vivem na sombra!

Hoje, como sempre, há o prazer estético da exigência de levar a urbe a tomar o seu verdadeiro lugar, de cidade de primeira água, o centro da cultura por excelência, arrancando de vez com os seus impulsos afetivos num sentido da sua própria evolução histórica.

Jamais O Despertar consentiu qualquer forma de mistificação ou expressão de qualquer absurdo.

Também à sua ética e à memória dos grandes valores de jornalistas e escritores que por aqui passaram como Mário Temido e outros e por último o multifacetado dr. Fausto Correia.

Memória a todos eles!…

MANUEL BONTEMPO