Cantanhede, Mira e Vagos criam rede de casas gandaresas

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Os municípios de Cantanhede, Mira e Vagos apresentaram, na sexta feira, o projeto “Gândara TourSensations”, que visa a criação de uma rede de unidades de alojamento local instaladas nas tradicionais casas gandaresas.

Financiado pela Linha de Apoio à Sustentabilidade do Turismo de Portugal, este projeto “tem como ambição estruturar uma rede de unidades de alojamento local ancorada nas casas gandaresas (identidade exclusiva e com marca própria), integrando-a nas ofertas turísticas da região, enquanto produto distintivo, e em complementaridade com os demais produtos turísticos da região da Gândara”.

A casa gandaresa é uma casa tradicional rural característica da região da Gândara, que se estende no sentido norte-sul desde as Gafanhas da ria de Aveiro até aos campos do Baixo Mondego, confinando com a Bairrada. Trata-se de uma construção térrea de formato em “L”, com pátio fechado, telhado de duas águas e construída de adobes de areia e cal, secos ao sol. A frente da casa é formada por uma sequência janela – porta – janela e um largo portão de duas folhas, que permitia a passagem, para dentro e para fora, dos carros de bois e respetivas carradas de produtos agrícolas.

Nos últimos anos, as três autarquias têm apostado na recuperação e preservação destas casas tradicionais, cujo revestimento de vãos de janelas e portas é feito com pedra de cantaria, originária de Ançã (Cantanhede). Em Mira, a autarquia ergueu mesmo fachadas simbólicas de diversas casas gandaresas nas freguesias.

O projeto ‘Gândara TourSensations’ é promovido pelas três autarquias do ‘coração’ da Gândara (Vagos, Mira e Cantanhede), liderado pelo município de Vagos, e com coordenação da Universidade de Aveiro.

Segundo os promotores, o projeto procura aprofundar o conhecimento sobre a cultura gandaresa e, especificamente, da Casa Gandaresa.

Pretende-se criar a base para um processo sustentado de preservação e valorização destes ativos, conferindo-lhes novas valências e funções, no âmbito particular das atividades turísticas, capaz de mobilizar a comunidade local e dinamizar as respetivas bases económicas locais, no estrito respeito pelo caráter distintivo da arquitetura que define a Casa Gandaresa (princípio basilar no processo de intervenção física destas unidades)”, explicam.

O “Gândara TourSensations” será também, como sublinham os promotores, uma oportunidade para “aprofundar o conhecimento sobre a cultura gandaresa”, nomeadamente através de “ações de pesquisa bibliográfica e de análise documental junto das bibliotecas nacionais de referência, dos centros de conhecimento da região (Universidades de Aveiro e de Coimbra) e das diversas bibliotecas municipais”.

O projeto tem um prazo de execução de 24 meses e representa um investimento de 287.500 euros, valor cofinanciado em 80 por cento pelo Turismo de Portugal.