Nas Margens do Ceira

//Nas Margens do Ceira

A Ceirarte, na sua vigésima sétima edição, decorre nos dias 31 de maio, 1, 2 e 3 de junho. Não é ousado afirmar-se que este certame foi pioneiro nesta região de alguns outros, congéneres, que noutras localidades vêm tendo lugar.

A Ceirarte conserva muitos dos princípios que estiveram na origem da sua criação num envolvimento artesanal, social, desportivo e recreativo, numa ação global que se traduz na cultura popular nas suas mais variadas vertentes.

Sofrendo transformações naturais como seria necessário mantém contudo, desde início, dois números que me merecem especial atenção. O “convívio de pesca” que mais não é do que uma chamada de atenção para o estado degradado em que se encontra o rio Ceira e o “Festival de Folclore” que na sua trigésima sétima edição o Grupo Folclórico da Casa do Povo organiza, este ano com a presença de grupos vindos do Alto Alentejo, Leiria, Santarém e Penafie.

Ceira vai viver quatro dias de afirmação pública das suas capacidades, do valor das suas gentes, do seu desejo incontido de viver cada vez com melhor qualidade.

Este ano a Ceirarte tem uma nova fisionomia. Deixou o pavilhão da Casa do Povo e o espaço que lhe está junto e veio mostrar-se nos terrenos circundantes do edifício em boa hora construído onde muito bem se encontram instalados a Junta de Freguesia, a Extensão de Saúde de Ceira e o Posto dos CTT.

Mais uma vantagem adquirida em consequência duma obra feita com raro sentido de realidade e que deu satisfação ao que durante tantos anos havia sido pedido sem nunca ter sido concretizado.

Ceira merece ser olhada com respeito pelos governantes deste País e tem o direito de exigir que as suas legitimas reivindicações sejam satisfeitas e não, como muitas vezes acontece, envoltas no rol do esquecimento e desinteresse.

A Ceirarte aí está. Pujante, dinâmica, entusiasta. Pronta a proporcionar aos milhares de visitantes horas de lazer, de franco convívio, de agradável vivência em comum.

Vinte e sete edições que se resumem sempre numa afirmação de força presente, de esperança num futuro melhor uma vez que esta freguesia tem que exigir aos governantes não palavras amáveis ocasionais, não promessas insatisfeitas, mas obras concretas na satisfação dos desejos de sua população de um cada vez melhor nível de vida.

JOÃO BAPTISTA