NOTA DE RODAPÉ

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O DIA DA CRIANÇA – ENTRE A ESPERANÇA E A DESILUSÃO

O Dia Internacional da Criança foi criado em 1950, pela Federação Democrática Internacional das Mulheres e a ONU, no ambiente pós-II Guerra Mundial, para sensibilizar a comunidade global para os problemas que atingiam tantas crianças – tentativa de salvar as crianças das ameaças e destruições, num panorama mundial de flagelo em termos sociais e humanitários.

Sessenta e oito anos decorridos sobre a benemérita criação, verificamos com profunda tristeza, que estão por cumprir muitos dos princípios da Declaração Universal dos Direitos da Criança. A título de exemplo, cite-se o relatório recente da Unicef, no qual se revelou que há 30 milhões de crianças em extrema dificuldade, nos países ditos desenvolvidos.

Mas bastará recordar as imagens das zonas de conflito militar no mundo para constatar que as crianças, hoje como em 1950, continuam a ser as principais vítimas da discórdia, ódio, crueldade e violência que inunda os corações humanos. Quem não tem presente as imagens dos bebés mortos nas praias da Turquia, em 2015, para onde iam na esperança de um refugio que os salvasse do matadouro da Síria? Alguém se esqueceu, porventura, do sofrimento expresso no choro e grito das crianças, num qualquer hospital improvisado na carnificina da Síria?

A Síria é apenas um exemplo típico das violências infligidas sobre os seres frágeis e desprotegidos um pouco por todo o mundo; ao qual podemos associar a fome na África apesar de tantos programas e estratégias implementados ao longo dos tempos, a perseguição por motivos religiosos no Iraque, na China ou na Coreia do Norte. As crianças, tantas vezes sem voz, acabam silenciadas definitivamente pela tirania e opressão daqueles que tinham obrigação de os proteger – nós, os adultos!

Mesmo nos países sem guerras a criança continua a sofrer. Todos os dias, neste país à beira mar plantado, de brandos costumes, somos invadidos quase diariamente com notícias de pedófilos, violações e humilhações diversas perpetradas sobre as crianças.

É certo que a criança de hoje será o adulto de amanhã. E, se não lhe proporcionarmos condições para um desenvolvimento emocional e material harmonioso, os desequilíbrios surgirão, mais cedo ou mais tarde, quando adultos forem. É um ciclo vicioso difícil de quebrar e um dos maiores desafios que a Humanidade enfrenta, entre a esperança e a desilusão permanente.

Este é um dia que fará todo o sentido lembrar enquanto existirem no mundo crianças a quem são negados os cuidados mais básicos; o amor, a saúde e a segurança.

JOÃO PINHO