Expectativas

//Expectativas

A expectativa é a mãe de muitas trapalhadas. Desgostos. Fugas de energias. Confusões. Desânimo. Deceções. Encrencas…

A expectativa é filha da ilusão. Do controle. Da manipulação. Da não aceitação. Do comando. Da negação da liberdade do outro. Da atitude de falsa proteção, nascido no “Quero, posso e mando”. Da previsão do que vai acontecer…

A expectativa gera cobrança. Irritação. Descontentamento. Discussão. Desentendimentos. Ruturas. Desilusão. Ingratidão.

A expectativa rema contra a maré, isto é, o fluxo da vida que ninguém consegue deter. Que ultrapassa tudo e todos. Leis do Universo que não admitem ser contrariadas e são mais fortes do que a fragilidade de qualquer humano, qualquer que seja a sua presunção.

A expectativa recai sobre tudo e todos!

A pessoa que alimenta expectativas é necessariamente competitiva. Calculista. Mesquinha. Está sempre programada. Egoísta. Alimenta ressentimentos. Não suporta ser contrariada. Não fica grata por nada, já que acha que tudo lhe é devido. Tem super auto estima. É a maior. Acha que tem direito a tudo e mais alguma coisa.

É um “atributo” que se encontra desenvolvido nos políticos! Se não tiver expectativa = ambição, como pode ser político?

Por causa da expectativa o ser humano está sempre descontente. Incompleto. Insatisfeito e triste. Acha que tem sempre direito a muito mais. Se o outro tem, “por que razão é que eu não tenho”, pergunta-se, desgostoso, quase revoltado e com raiva. “Mereço menos do que o outro”?!

Como tem expectativas a mais, acha sempre pouco aquilo que tem. Não repara, nem contabiliza o que lhe é oferecido. Muito menos agradece, mesmo quando a vida já lhe deu tanto! Só olha para o que não tem. Nem goza e usufrui, tudo de bom que possui. Não agradece nunca!

Nunca sente que recebe, pois acha que tem direito a tudo e muito mais, dentro do espírito de exigência, que raramente corresponde ao que esperava. Daí viver infeliz. Descontente em permanente deceção.

E por que havia o Universo de satisfazer os seus caprichos e ambições, se não o conquistou, nem atraiu com a sua vibração energética? Se nada semeou, como quer colher?

Agora vamos inverter esta atitude da expectativa… O supremo amor é aceitar o outro como ele é. O que gera as discussões, as separações, os mal entendidos são as expectativas.

Deus ama-nos tal como somos.

Por que havemos de insistir na atitude contrária, colidindo com a liberdade e o respeito pelo outro?

Homens e mulheres pretendem encontrar nos companheiros, modelos que construíram nas suas cabeças. Quando não corresponde ao que previram, não aguentam. Divorciam-se sem se questionar estas verdades simples e o exercício de se mudarem a si mesmos, para que o outro mude também.

Isto claro, quando há amor, porque se foram movidos pelo interesse e egoísmo, estas coisas são impossíveis e não ocorre reconciliação. Separam-se, na ilusão de cruzarem outra pessoa que se submeta às suas exigências, porque não quiseram mudar. Ir à raiz da questão. Disponibilizarem-se para resolver o desentendimento com cedências mútuas.

As pessoas não se precisam, elas se completam… não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objectivos comuns, alegrias e vida.” – Desconhecido.

Entrar no fluxo da vida. Nada se desejando e tudo se agradecendo, como uma dádiva. Um presente que se acolhe com alegria e se valoriza, torna todos mais felizes. Muda o espírito da expectativa, filha do ego.

Sente-se que tudo o que vida nos deu, incluindo as pessoas, são bênçãos que valorizamos sem competições. Sem esperas eivadas de rigidez e imposição (ainda que veladas…).

Coisas maravilhosas com que não se contava, já que nada se esperava, acontecem! Nasce uma profunda gratidão de onde brota alegria nas situações mais simples. Os elos se reforçam.

Talvez valha a pena equacionar estas posturas… Mudar o que for necessário, como sinal de grandeza compassiva, levados pela inteligência do amor!

Viver é deixar fluir a essência daquilo que somos em meio à turbulência que nos cerca, sem temores ou ansiedade. Ao permitir que aquilo que sentimos complemente nosso lado racional, criamos a fusão que resulta no equilíbrio entre nosso interior e o mundo à nossa volta.” – Mauricio A Costa em ‘O Mentor Virtual’.

LUCINDA FERREIRA