Mulheres que se agigantam

//Mulheres que se agigantam

Há na pintura de Ana Sequeira Turner uma espécie de odes de fogoso romantismo como trabalha o cromatismo e transmite a mensagem poética dos temas que se servem das ideologias e dos sistemas do pensamento de Proudhon, a pintora que é pedagoga e escritora, casada com o escultor Turner, ambos têm feito carreira nas suas áreas pela Europa de uma dimensão robusta, significativa e muitas vezes premiada.

Ana Sequeira já esteve duas vezes no nosso país, afinal o seu, com quadros de reação ética, doutrinária, como aborda o humano, a sua envolvência, quer nos “mendigos”, nas “prostitutas”, na grande inquietude de colocar o homem no centro do Universo.

Trabalha a figura como se fosse uma gesta revolucionária e empresta uma consciência progressista ao homem-ser, que parece afundar-se pelo capitalismo selvagem que lhe impõem!

Ana Sequeira Turner para além deste extrato, pinta a natureza ora torturada, ora feliz dentro duma estética existencialista. Pintura no fundo, de sabor intelectualista recorrendo a estilos diversificados que se unem num senso universalista e a “leitura” é feita quer no Ocidente ou no Oriente, tal a magia dos seus trabalhos.

A pintura é um complemento de si própria, dos seus livros, da sua filosofia, da sua pedagogia ou escrita, é o seu grande momento de inspiração e uma perceção transcendental que não se absolutiza, antes, é um credo relativo da fragilidade das coisas, do efémero, num binómio curioso do conhecer e do ser parafraseando Tomás de Aquino.

A arte para esta mulher é uma grande intuição, coisa que nasce, o destino que leva a aceitar um caminho histórico, pessoal, de análise permanente dos fenómenos sociais e culturais do mundo circundante. Há uma adesão franca ao socialismo que não lhe enfraquece o lirismo subjetivo dos temas, antes, reforça o conteúdo que insere sempre uma mensagem quase bíblica, o trato do homem-mulher, nas suas telas sem o endeusamento a ideologias subversivas mas numa ontologia de amor.

Há, paradoxalmente, um cristianismo novo de origem evangélica questão já tratada nos seus livros.

A crítica fica perplexa com a arte que tem um fundo social mas nunca deixa de ser o cenáculo de discussão como convém a um quadro, a um livro, à escultura, à poesia, à pintura, ao engenho da pessoa que inventa, modifica, purifica os amores pela Natureza.

Ir a Paris, mergulhar em França, é estar com a Arte!

MANUEL BONTEMPO