Portugal tem mais de 2.600 médicos internistas

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Portugal tem mais de 2.600 internistas inscritos na Ordem dos Médicos, mais de 1.700 dos quais apenas nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS). O que significa que 8,6 por cento da totalidade dos médicos nestes hospitais são internistas, que dão resposta a milhares de doentes.

Estes dados foram divulgados durante o 24.º Congresso Nacional de Medicina Interna, que decorreu de sexta a domingo, no Centro de Congressos do Algarve, por Luís Campos, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), que cessa agora as suas funções depois de dois anos na liderança do destino dos internistas. Na abertura, realçou ainda o facto de, em 2017, saíram dos serviços de Medicina dos hospitais do SNS 188.307 doentes, o que representa mais de 42 por cento dos internamentos médicos (440.188) e 23 por cento de todos os doentes saídos dos hospitais do SNS (802.129).

Luís Campos demonstrou, através de números, porque é que a Medicina Interna é uma “especialidade nuclear para o sistema de saúde” nacional. Em 2017 realizamos, só nos hospitais do SNS, cerca de 587 mil consultas (586.781) e fomos responsáveis pelo atendimento da grande maioria das quatro milhões e 600 mil admissões nas urgências gerais dos hospitais do SNS”, referiu. A estes dados, que confirmam o peso e importância do papel dos internistas, juntam-se vários outros números.

Os serviços de Medicina, nos últimos 10 anos, têm tido uma taxa de ocupação média entre os 102 e os 130 por cento, enquanto a taxa de ocupação média nos hospitais situa-se entre os 80 e os 85 por cento. Os serviços de Medicina Interna foram responsáveis, em 2017, por 85 por cento dos internamentos por pneumonia, 81 por cento dos internamentos por insuficiência cardíaca, 70 por cento dos internamentos por acidente vascular cerebral, 80 por cento dos internamentos por DPOC e 82 por cento dos internamentos por lupus”, apontou Luís Campos, que acredita “que o sistema de saúde e os doentes precisam cada vez mais da Medicina Interna”.

O especialista acrescentou também que “a evolução geográfica, particularmente o aumento da esperança de vida, faz com que atualmente tenhamos dois milhões de idosos e que, em 2050, se preveja que tenhamos três milhões e meio”, o que irá fazer “aumentar o número de doentes crónicos e particularmente o número de doentes com multimorbilidades”.

Luís Campos considera, ainda, que é preciso estar atento ao aumento do conhecimento em geral, o que “origina uma fragmentação das especialidades, uma hiperespecialização, gente que sabe cada vez mais sobre cada vez menos”. Chama também a atenção para uma “ameaça à sustentabilidade do sistema induzida pela introdução da inovação, particularmente por medicamentos que são cada vez mais caros”, e considera que é preciso racionar e combater o desperdício.

Porque os internistas em Portugal “mantiveram uma capacidade holística, cada vez mais inestimável, são flexíveis, multipotenciais e eficientes e estão preparados para liderar novos modelos de prestação de cuidados mais adaptados aos doentes”, serão eles os protagonistas preferenciais de uma mudança que urge operar. Uma mudança que, segundo Luís Campos, passa pela “criação de departamentos de medicina geridos por internistas, implementação de unidades diferenciadas, como unidades de AVC, de insuficiência cardíaca, de cuidados intermédios, de geriatria, de doenças autoimunes e outras; de modelos de cogestão dos doentes cirúrgicos, de alternativas aos internamentos, como a hospitalização domiciliária, unidades de diagnóstico rápido e uma melhor utilização dos hospitais de dia”.

Passa por “programas de integração entre os diferentes níveis de cuidados, que garantam a continuidade de cuidados e retirem os doentes crónicos das urgências” e passa ainda por “novos modelos de resposta aos doentes agudos e pela implementação dos cuidados paliativos”.

Os números apresentados são da Administração Central do Sistema de Saúde, tendo sido trabalhados pela Sociedade Portuguesa de Medicina Interna.