TESTEMUNHOS. Futebol D’a Minh’Alma

//TESTEMUNHOS. Futebol D’a Minh’Alma

Os acontecimentos ocorridos, e que ainda acontecem, em redor de um dos clubes, designados por «Grandes», no nosso país, não podem calar a minha indignação. São graves, indiciadores de terrorismo clubista, indo muito além da tal paixão exacerbada existente no futebol. Não foi nada que muitos não tenham previsto, dado o comportamento agressivo das autoproclamadas «claks» e a impunidade que os «Três Grandes», em simpatizantes e adeptos, sempre usufruíram.

São «Grandes» mas, concomitantemente, muito «Pequenos» se, como agora por aí se propala, exercem a ditadura do poder, executam práticas organizativas e de gestão imbuídas na promiscuidade e atos que encorpam corrupção e ilicitudes graves.

Abordava apenas os mais falados e comentados: transferências de jogadores fraudulentas cometidas por um grupo de agiotas que exploram e sugam os verdadeiros atores e obreiros do futebol – os jogadores –, fugas capciosas ao fisco, sacos azuis com dinheiro oriundo de proveniências dúbias, dividas de milhões, muitas vezes perdoadas ou trocadas por outros serviços, ajudando à falência de alguns grandes bancos, suportadas ou a suportar pelo povo português. Fala-se também dos Presidentes respetivos que servem os clubes para cultivar poder e populismo, com reflexo nos seus negócios, apoiando-se em momentos complexos nas designadas «claks», por vezes braços armados ao seu serviço.

Estes clubes «Grandes», porventura, tão «Pequenos», participam na alienação do povo adepto através da participação em programas desportivos demagógicos, de má imagem, utilizando aí palavras que incitam à guerra permanente entre pares. Fala-se da sua influência nos órgãos de comunicação, conselhos jurisdicionais e de disciplina do desporto, magistrados, no aliciamento de jogadores das equipas adversárias, compra de resultados. Tudo, muitas vezes, com impunidade, já que a promiscuidade da política, do poder económico e dos órgãos de comunicação com o futebol, e predominantemente com os «Três Grandes», são fortes e de interesse mútuo.

Para além de tudo isto, estou certo de que, o poder dos «Grandes» foi destruindo o interior do país futebolístico, tornando-o cada vez mais pobre no apego da população aos seus representantes desportivos. Tudo é Benfica, Porto, Sporting. As designadas Casas desses clubes, disseminam-se como cogumelos, para melhor dominarem, ajudando à mobilização de adeptos com o intuito de alcançar vitórias sobre os ditos clubes pequenos da terra, cada vez mais pequenos e mais pobres, sucumbindo mesmo, apesar da história tida no futebol português. Custa ouvir dizer na televisão, antecedendo um jogo Marítimo – Sporting, “eu sou do Marítimo, mas hoje sou do Sporting”. É a total subserviência a um dos monopolistas do futebol Português.

«Deita água na fervura», agora, um dos meus leitores: “Ah! Mas apesar de tudo o que acabou de dizer, os «Três Grandes» ganham quase todas as competições internacionais em que entram e, nas suas equipas, prevalecem, em grande maioria, jogadores portugueses, e estes factos são de valorizar!”

Desengane-se caro leitor, nem uma coisa nem outra, tristemente o digo.

ANTÓNIO INÁCIO NOGUEIRA