Manuel Antunes reconhecido pelo exemplo e trabalho de excelência

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Manuel Antunes, diretor do Centro de Cirurgia Cardiotorácica (CCT) do Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra (CHUC), foi homenageado no sábado, num jantar de gala que juntou na antiga igreja do Convento S. Francisco, em Coimbra, cerca de 350 pessoas.

Promovida pelo Círculo de Amigos do CCT, por ocasião dos 30 anos do serviço, esta cerimónia enalteceu o trabalho desenvolvido pelo cirurgião a favor dos doentes e da Medicina, reconhecendo publicamente um serviço que, nas últimas três décadas, primou pela excelência, traduzida em mais de 45.000 cirurgias cardíacas e pulmonares e 358 transplantes cardíacos realizados.

Representantes institucionais, ex-responsáveis governamentais e políticos, amigos, doentes, colegas e personalidades de diversos setores participaram nesta gala. O ex-Presidente da República Cavaco Silva; as antigas ministras da Saúde, Maria de Belém Roseira e Leonor Beleza; os deputados Manuel Alegre e Marques Mendes; o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães; o presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Manuel Machado; a presidente da Administração Regional de Saúde do Centro, Rosa Reis Marques; o reitor da Universidade de Coimbra (UC), João Gabriel Silva; o diretor da Faculdade de Medicina da UC, Duarte Nuno Vieira; inúmeros colegas e diretores hospitalares e de serviços de Cirurgia Cardiotorácica de todo o país; e sete cirurgiões europeus de grande reputação da área de Cirurgia Cardiotorácica estiveram entre as centenas de pessoas que quiseram participar nesta homenagem que reconheceu uma “personalidade única”, marcada pela “eficiência, disciplina, respeito e trabalho”, como realçou o presidente do Círculo de Amigos, Frederico Teixeira.

Na sua intervenção, agradecendo a presença de todos e o apoio da família, o cirurgião Manuel Antunes recordou as “três décadas de dedicação exclusiva a este serviço e hospital”, a média de 70 horas de trabalho por semana, contabilizando já mais de 100 mil horas. “Os resultados obtidos conduziram ao reconhecimento deste serviço”, afirmou, explicando que, apesar de ter convites para assumir outros cargos, “sempre pensei que era junto dos meus doentes que as minhas capacidades melhor seriam aplicadas”.

Frisou ainda que, para além da atividade assistencial, não se descurou a atividade científica e de ensino, lembrando os alunos de Medicina e Enfermagem, entre outras áreas, que ao longo dos anos passaram pelo Serviço, os 350 trabalhos científicos publicados, as mais de 10 mil citações em artigos científicos e o milhar de apresentações em congressos internacionais.

Num momento em que se aproximam o seu 70.º aniversário e a jubilação, e consequente saída do cargo que ocupa no CCT, o cirurgião referiu que o legado que deixa – um serviço, uma equipa e um edifício construído de raiz – é um contributo para a Universidade e o Hospital de Coimbra, e um desafio para o futuro. Reconhecendo que não conseguiu fazer tudo o que queria “porque não me deixaram”, chamou a atenção para o facto do Serviço Nacional de Saúde (SNS) estar a atravessar um período de crise, sendo necessário “educar a sociedade” e “reinventar o SNS”.

Apesar das medidas restritivas na área da saúde, apelou à concertação de esforços dos ministérios do Ensino Superior e da Saúde, frisando que “é da crise que nascem as oportunidades” e que “aflora o melhor de cada um”.

A sessão contou ainda com as intervenções do presidente do Círculo de Amigos, Frederico Teixeira; do representante do Centro de Cirurgia Cardiotorácica, Pedro Antunes; do representante dos doentes, Gomes Canotilho; do presidente do Conselho de Administração do CHUC, Fernando Regateiro; do Reitor da UC, Gabriel Silva; e do presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado.

A cerimónia incluiu ainda um momento musical, com a atuação do Quinteto da Orquestra Clássica do Centro e um vídeo intitulado “Do Coração”, com testemunhos de muitas pessoas sobre o homenageado.

O Círculo de Amigos presenteou ainda a figura central da noite com um presente simbólico – uma guitarra de Coimbra com frente em filigrana portuguesa, onde se destacam dois corações.