A Associação Cristã da Mocidade (ACM) de Coimbra celebrou, na semana passada, um século de história(s), um percurso longo e marcante que foi evocado no sábado na sessão solene do centenário, cerimónia que teve como ponto alto o lançamento do livro sobre a história da instituição e alguns reconhecimentos que a direção quis prestar a figuras que se destacaram neste seu longo percurso.
A abrir a sessão, o presidente da ACM de Coimbra, Fausto Carvalho, recordou a história da instituição, feita de “momentos, ideias e histórias” das muitas gerações que “ao longo destes 100 anos construíram a ACM” e que, chegado este momento histórico, “impelem a celebrar” este percurso e a ter também esperança no futuro e no “novo século que agora se inicia”.
Evocando memórias do passado mas sempre com os olhos postos no futuro, Fausto Carvalho não escondeu o orgulho e também a emoção por ver a instituição a que preside celebrar o primeiro século de vida.
Um século recheado de lutas, dificuldades e muitas vitórias numa sociedade em constante mudança e evolução como o testemunham o livro, apresentado pelos acemistas e associados Américo dos Santos e Bingre do Amaral, numa sessão que contou ainda, entre muitos outros convidados, com a presença do secretário de Estado do Desporto, João Paulo Rebelo; do presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Manuel Machado; e do historiador e autor do livro, João Pinho.
Américo dos Santos considerou que este é “um dia muito especial” para todos os que vivem a ACM e congratulou-se pela presença do representante do Governo neste momento de celebração, em que se revisitam “as páginas de um século de história”.
Bingre do Amaral recordou todos aqueles que trouxeram a ACM até aqui. “Uma associação faz-se não apenas por quem a dirige mas por todo o corpo”, sublinhou, considerando que estão retratadas neste livro “todas as células que o compuseram” e que são agora trazidas de “volta à vida na nossa memória e no nosso pensamento”.
Bingre do Amaral enalteceu a capacidade de resistência da ACM ao longo destes 100 anos, tendo tido a capacidade de sobreviver a “mudanças de regime, crises de índole religiosa, ideológica e financeira”. Considerou também que esta força resultou sempre do “sentimento de comunidade, de pertença e da relação fraterna” que distingue esta instituição.
“Estamos a celebrar uma comunidade, mais do que um edifício. Estamos a celebrar a alma que o une e celebrar a alma é celebrar também os que já partiram e que no seu tempo foram pessoas importantes para a vida da instituição”, sublinhou, elogiando a “pesquisa minuciosa” feita por João Pinho, que “trouxe de volta à vida muitas pessoas que temos, de facto, de recordar”.

“Ao olhar em retrospetiva, da história que agora se recria em livro da ACM, não encontro comparação mais feliz do que a da árvore, plantada em tempos de incerteza, com elementos de natureza cultural e recreativa, que foi crescendo por entre instabilidades diversas, da religião à política, mas sempre acarinhada por quem lhe queria bem, multiplicando os seus ramos de atividades, dando sombra feita de saber, formação, diversão e desporto a quem a procurava”, disse João Pinho.
O autor do livro considera que esta é uma “instituição ímpar na nossa cidade, com projeção regional, nacional e internacional, cujo legado chegou até nós pelo sacrifício pessoal de muitos homens e mulheres que tudo deram em prol da causa acemista”. Sobre a obra agora apresentada, busca o “ADN histórico da ACM, identidade da sua história e memória”.
100 anos de um trabalho intenso e notável
O percurso da ACM foi também elogiado pelo presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado, que recordou “o trabalho intenso que foi empreendido pela ACM como casa da filantropia” e que desenvolveu um trabalho notável, na cidade e na região, “em prol da formação saudável da juventude, numa abordagem multidisciplinar, visando o desenvolvimento espiritual, intelectual e físico e preparando sucessivas gerações para a caminhada da vida”.
Felicitou o presidente Fausto Carvalho pela escolha do lema das celebrações destes 100 anos – “A ACM na Cidade” – e pelo programa variado e diversificado que tem vindo a ser promovido ao longo do ano, “envolvendo com êxito toda a comunidade, para além dos próprios associados, e evidenciando o sentido do trabalho intenso ao longo de um século da ACM”. Recordou também as sucessivas gerações que passaram por esta casa, considerando que “é justo prestar homenagem a todos os que, ao longo de 100 anos, fundaram, lideraram, dirigiram e chegaram até nós com toda a qualidade, honestidade e empenhamento”.
Para o autarca, a melhor homenagem que se pode fazer “é apoiar a continuação do trabalho que tem desenvolvido e manifestar à ACM, em nome da cidade, a nossa gratidão pelo exemplo, pela competência e honradez impulsionada pelo velho princípio de que Coimbra vale a pena, que nos ajuda a ser uma cidade de referência, contemporânea na sua antiguidade, no drama da suas tradições, formadora nas suas inovações”.
O secretário de Estado enalteceu o contributo e as alegrias que a ACM tem dado ao país ao longo dos anos, “um orgulho não só para esta cidade e para a região mas também para o país, com treinadores e atletas olímpicos”.
“Que venham mais 100 anos, mas para isso precisamos de ter o mesmo espírito dos que contribuíram nos últimos 100 para fazer da ACM esta instituição que é de facto um orgulho”, disse João Paulo Rebelo, considerando que “o mundo está mesmo muito necessitado de revisitar os valores e princípios que foram tão bem incutidos” pela ACM de Coimbra e que “100 anos depois ainda perduram”.
A sessão terminou com a homenagem a atletas e dirigentes da ACM, onde se destacou a presença da atleta olímpica Rosa Mota. As celebrações continuaram à noite, no Hotel D. Luís, com o jantar de aniversário, marcado também por mais homenagens.
As celebrações do centenário continuam na quarta feira, feriado do Dia da Cidade de Coimbra, com o Cortejo ACM, um grande desfile que, a partir das 10h00, vai trazer para a rua todas as atividades acemistas, num percurso que começa na Praça da República e termina no Largo da Portagem, com paragem junto à Câmara Municipal. “Queremos mostrar um pouco daquilo que somos e do que podemos oferecer à cidade e aos cidadãos”, frisa Fausto Carvalho. São esperadas centenas de pessoas neste desfile que será acompanhado pela Filarmónica de Ceira.
