Pintura de Isabel Zamith em Sintra

//Pintura de Isabel Zamith em Sintra

Esta artista, das maiores pintoras portuguesas, bem conhecida nas tertúlias e galerias, premiada, que atingiu a ideia da beleza ou a forma universalista de pintar, aceite e elogiada no país e no estrangeiro, expõe na Biblioteca Municipal de Sintra e como sempre os seus quadros são um hino à natureza num ato inteiramente intuitivo, quase sem reconhecer no princípio o objeto ou as leis, como uma sonâmbula, numa ciência empírica no trato físico e acorda da abstração e a “verdade” ou as previsões de uma ciência exata, evolutiva, sempre nova, ou na natureza transfigurada que é a sua razão discursiva.

A pintura desta singular artista tem todas as condições de leitura universal, foi assim em Espanha, França num raro processo de versificação.

Possui uma gramática larga, escorreita, com a combinação das formas e dos conteúdos, embora elabore a figura, o retrato, é a paisagem o seu credo, a sua paixão entre a sensibilidade e a inteligência, numa melodia articulada, onde o verbo, a música, as cores se diluem, para ficar essencial.

Grande exposição. É o termo que me apetece empregar neste pequeno texto.

Isabel Zamith se ergue, como mulher da cultura contra a alteridade pinturial dos surrealistas e dos “ismos” patológicos de uma falsa literatura, para recriar o velho em novo, como o Eclisiástes!

E a sua pintura é a musicalidade da nossa linda paisagem, as serras, os valados, rios, mar, os campos, Norte e Sul num canto quase divinatório, de uma predestinada, que cria a sua Obra, com talento mas sem falsos gongorismos, como se encolhendo por detrás dos seus quadros, sem se colocar nos bicos dos pés!

Afinal uma criadora que não usa a vaidade dos narcisos!

E foi assim que ganhou os elogios da crítica estrangeira e faz parte a sua pintura de revistas de mérito.

Isabel Zamith faz nesta exposição como um joeiramento no desenho agarrando-se mais ao valor formal parecendo diminuir a importância do conteúdo como ilusão ótica, mas a intenção da sua arte séria, inconfundível. no seu conjunto artístico lá está na sua vasta problematização da pintora que reflete muito sobre a natureza, na tessitura interior, o que não surpreende, ao matiza intelectualista da sua pintura que se busca num ato de amor.

MANUEL BONTEMPO