Privação

//Privação

O que a maioria de nós leva para o relacionamento não é a plenitude, mas a carência. A carência implica uma ausência dentro de si… A carência é uma força poderosa, capaz de criar ilusões poderosas. Ninguém pode realmente entrar dentro de você e substituir a peça que está faltando.” – Deepak Chopra

A falta do amor, de auto estima, de compreensão, de tudo aquilo que dá sentido profundo à vida, cria um vazio. Uma dor. Uma revolta. Uma carência intensa. Um desalinhamento tal, que leva o homem a buscar o PODER desesperadamente para colmatar o buraco negro onde se perde, dentro de si mesmo!

Viaja por mares e continentes, busca sem sossego, para encontrar a solução, para esse desespero triste e insuportável que é a carência. Verdade se diga, que essa fuga ainda se torna mais assustadora, porque mais afunda o indivíduo, que assim se afasta da sua missão e do seu centro e de quem é realmente.

Deste modo, o homem foge das suas emoções. Desvaloriza-as. Relativiza tudo e torna-se um “durão”. Um valente. Alguém que ninguém poderá atingir, porque ele é superior a tudo e a todos…

Cavaleiro andante, nunca pára. Invencível. Vive mil aventuras. Aguenta tudo. Forte. Valente e duro, suporta tudo o que vier, com o sua máscara ancestral!

O que é que ele busca? Aventuras. Fama. Glórias. Imortalidade. Mas…quando fica sozinho, aquele imenso vazio, o buraco negro no seu peito, dói como um estigma permanente que consome em silêncio.

É neste momento que muitas estrelas famosas, ou outros seres humanos, no auge do sucesso, se suicidam! Não têm sentido para a vida. Apesar de toda esta fachada brilhante, não aguentam o peso da solidão mais íntima, perante si próprias.

Nesta situação e ao ter consciência desta realidade, qual será a solução e o que fazer? Parar. Compreender que esta realidade é a prova que viemos passar uma prova real, nesta densidade, e que tem que ser vencida corretamente.

Conhecer que o preço da existência traz esta vivência dual. Isto é, há momentos belos. Bons, mas…Também há o outro lado da medalha, que tem que ser experienciado.

Não temos que tentar ser mais do que os outros. Temos que ser mais de nós próprios! Aceitar o que custa, como algo que temos que passar, como desafio de todos os humanos.

Queremos mais amor? Temos que dar mais amor.

Queremos mais compreensão? Temos que tentar saber mais de nós mesmos. Compreender os outros também. Procurar compreender a mecânica da auto estima. Trabalhá-la. Sobretudo, ligar-se à Fonte. Entregar-se, sem orgulhos despropositados. Confiar mais nesse poder infinito que existe dentro de TODOS nós, sem exceção, e que emana do Criador. Do Universo.

Olhar uma flor desabrochando. Agradecendo cada momento, em que estamos vivos e com possibilidades de evoluirmos. De sermos felizes, sem complicações, usufruindo riqueza.

Trabalhando com prazer, fazendo do que gostamos de fazer, como se fosse uma distração agradável. Partilhando o que temos e somos, com alegria, sabendo que quem semeia, colhe!

Perdoar, pois o contrário é sinal de estupidez, pois só nos faz mal o ressentimento e o rancor.

Agradecer tudo que temos! Fixar-se nas coisas boas possuídas, abandonando a ideia das que pensamos que nos faltam.

Conexão com o grande Espírito. O grande Arquiteto. Deus. O Universo. A Luz, seja com o que for que nos eleve, tire da miséria da maldade, da vingança, do poder desmedido e ambicioso, do orgulho ignorante de se comparar com os outros e querer ser mais do que o vizinho, enfim tudo o que muito bem o nosso íntimo sabe que não é correto e só nos faz mal. Nos afunda e faz infelizes.

Dar mais do que se recebe. Todos os dias, fazer o balanço, dá uma sensação de bem estar que vence todas as carências!

De que estamos todos à espera, queridos amigos, sobretudo os mais tristinhos e revoltados?

E sobre a carência básica…

Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome.” – Mahatma Gandhi.

LUCINDA FERREIRA