NOTA DE RODAPÉ

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A RAINHA SANTA ISABEL E O MILAGRE DAS ROSAS

Coimbra vive por estes dias as festas da Rainha Santa e da Cidade de Coimbra. A sua padroeira, Isabel de Aragão, nasceu em Saragoça, a 04.01.1271 e foi consorte de D. Dinis I, sendo popularmente conhecida como Rainha Santa Isabel. O feriado municipal, assinalado ontem, coincide com a data do seu falecimento: 4 de julho de 1336, em Estremoz.

Foi uma das primeiras mulheres a destacar-se na história portuguesa. A sua riquíssima biografia na colossal obra de A. Vasconcelos “Dona Isabel de Aragão – A Rainha Santa”, assinala as qualidades de uma personalidade multifacetada: suportou a infidelidade constante do seu marido que visitava damas nobres na região de Odivelas; evitou em 1325 uma guerra fratricida entre seu filho D. Afonso IV e o pai, demonstrando uma clara capacidade negocial e diplomática; foi peregrina de Santiago a cujo santo ofertou muitos bens pessoais; e freira clarissa no Mosteiro de Santa Clara a Velha em Coimbra.

As ajudas aos pobres, com sucessivos gestos de bondade e piedade, acabaram por a consagrar, ainda em vida, com a reputação de Santa, vindo a ser beatificada pelo Papa Leão X em 1516 e canonizada pelo Papa Bento XIV em 1742. Foi em Coimbra que a Rainha Santa passou parte substancial da sua existência, como clarissa no Mosteiro de Santa Clara a Velha, onde veio a ser sepultada.

A história mais popular é, sem dúvida, o milagre das rosas, cujo primeiro registo escrito se encontra na Crónica dos Frades Menores, redigida por Frei Marcos de Lisboa em 1562: “levava uma vez a Rainha Santa moedas no regaço para dar aos pobres (…) Encontrando-a el-Rei lhe perguntou o que levava (…) ela disse, levo aqui rosas. E rosas viu el-Rei não sendo tempo delas”.

Com o passar dos anos a lenda foi sendo amplamente difundida, com várias cidades e vilas a reclamarem para si o local do milagre das rosas.

JOÃO PINHO