Tertuliar

//Tertuliar

A mesa é sempre um lugar pedagógico e a cozinha um lugar de elaboração da história”.

Em Dia dedicado ao Piquenique, são estas as palavras que servem de mote à nossa Tertúlia e nos convidam de imediato a celebrar a Natureza e partilhar momentos únicos num dos nossos parques.

Dia do Piquenique que motivou a partilha de um texto magnífico de Júlio César Machado (1835-1890) em que se descreve de forma cenográfica a “ida às hortas” da burguesia lisboeta, que nos surge como um antepassado do nosso hábito – em boa hora recuperado! – de piquenicar, e nos levou a tertuliar sobre alfaces, alfacinhas, festas e romarias, desencadeando momentos verdadeiramente hilariantes.

Alguém fala na experiência que foi sentir-se personagem da Idade Média, tendeiro, num cenário verdadeiramente único: o Largo da Catedral de Santa Maria (Sé Velha de Coimbra), fazendo parte de uma narrativa que nos ajuda a valorizar o que hoje temos à distância de um click (seja em termos de alimentação como de vestuário ou mesmo transportes e lazer).

Dias de verão que fizeram ponte direta a partir do inverno e nos convidam a redescobrir os benefícios do nosso Atlântico: mergulhar, explanar e… piquenicar.

Alguém lembrou as Marchas e o cenário singular que se viveu na Rua da Sofia: restaurante a céu aberto, mesas corridas e assadores nos passeios (à porta dos restaurantes) em palco partilhado com o cheiro a sardinha harmonizado com o som das cantigas. Salientado o fantástico empenho dos grupos participantes, a alegria contagiante que transmitiam, o colorido inusitado na malha urbana, num impulso, um imenso abraço de gratidão foi o círculo que fechamos em volta de uma árvore, num momento tertuliar verdadeiramente único!

No mesmo quarteirão, outrora pertença do Mosteiro de Santa Cruz e tendo igualmente no ADN histórico o Colégio das Artes, vivia-se a Ceia Medieval nos Claustros.

Tempo para nova partilha, que nos soou a convite/desafio: em dia de reconstituição de Feira Medieval, houve quem optasse por passar as horas de temperatura mais elevada – convidativa a uma bela de uma sesta! – para (re)visitar o Mosteiro de Santa Cruz, os encantos e histórias que as paredes “escondem” (na verdade as portas estão abertas a quem tenha a curiosidade de descobrir o Mosteiro, os Claustros, o Santuário, o Cadeiral,… ou simplesmente deixar-se ficar na nave central em modo mais meditativo).

Dias que se prolongam pela noite, com as temperaturas mais frescas do final da tarde a convidarem a (re)descobrir esplanadas, a viver a rua, os largos e praças, a ouvir as sonoridades ou mesmo a dançar, a experienciar sabores mais frescos, a deixar-se ficar em saborosas conversas.

As Festas da Cidade e o QuebraJazz a decorrer, o Festival das Artes e os Jogos Universitários a aproximarem-se, inúmeras festividades a oferecer um colorido diferente ao território, convidam-nos a partilhar momentos verdadeiramente únicos de celebração e novas/renovadas experiências dos sentidos. “Venham mais cinco” e… tertuliemos.

ALICE LUXO – alice.luxo@gmail.com