Tutti frutti?

//Tutti frutti?

A Polícia Judiciária batizou a operação de investigação que pode abalar o regime com o título retirado do italiano e que significa «todas as frutas». Não me parece um título completamente feliz, como adiante explicarei.

A confirmarem-se os indícios desta operação, o centrão anda vivo e recomenda-se, em especial para malfeitorias: favores, esquemas, corrupções, tráfico de influências, adjudicações aos amigos especiais e um sem número de negócios onde os dinheiros públicos, suspeita-se, terão sido indevidamente utilizados.

A julgar pelo que tem vindo a público os dois maiores partidos portugueses fizeram das organizações políticas agências de emprego, onde tiram e metem quem querem ao sabor do gosto pessoal ou do funcionamento do grupo ao jeito da máfia italiana, com os padrinhos a agraciarem os afilhados.

Infelizmente trata-se apenas da confirmação do que há muito se vem falando nos bastidores e observando a olho nu: vale tudo pelo dinheiro e posição social, traduzido, por exemplo, na ascensão mediática de meninos e meninas que virados do avesso pouco sabem da vida… na vertical, embora sejam portadores de doutoramentos por outras vias, designadamente… a horizontal.

Creio, no entanto, que o mundo sempre assim foi. Perverso, promíscuo, conflituoso, dado a troca de favores e benefícios contornando a lei. Basta observar, na atualidade, como vários concursos públicos para admissão nesta ou naquela função, se apresentam como um fato feito à medida de quem se deseja que o vista.

Mas, como disse, tutti frutti não é um título inteiramente feliz. Na verdade, apenas vislumbro, na operação desencadeada, dois sabores: a rosa e a laranja! Posso andar distraído, mas não sou ingénuo: alguém acredita que o sabor bloquista, centrista, unitário e outras partículas menos visíveis andam fora desta roda de frutos?

Faltam neste puzzle outros sabores, quiçá os ainda por descobrir nas 500 escutas de telemóvel que estão a ser analisadas. Aguardemos, confiados no sistema judicial e policial, desejando que o regime abale se tiver de abalar com esta bomba relógio, em nome da democracia e transparência do regime.

JOÃO PINHO